Desde o passado mês de Novembro que qualquer recruta que pretenda integrar as forças armadas britânicas será questionado sobre a sua orientação sexual. Apesar de ser permitido desde 2000 que soldados abertamente homossexuais possam servir o país, a medida foi introduzida numa tentativa de promover uma maior tolerância no seio do exército e prevenir ataques homofóbicos. Apesar de serem questionados, os recrutas terão a opção de não declararem a sua orientação sexual, e responderem "prefiro não dizer". Além disso, serão igualmente convidados a fornecer informações adicionais sobre o quão abertos sentem que podem ser em relação à sua orientação sexual.

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Os dados recolhidos não irão constar nos registos pessoais individuais, sendo armazenados de modo anónimo para garantir que ninguém possa ser identificado.

Um porta-voz do Ministério da Defesa afirmou que esta medida será útil para compreender a composição das forças armadas britânicas e ajudará a "garantir políticas e práticas que apoiem plenamente" todos os membros. As Forças Armadas acreditam que a nova política vai ajudar a criar uma "organização mais inclusiva", em que todos se sintam valorizados. Segundo o porta-voz, "o Ministério da Defesa incentiva orgulhosamente a diversidade em todos os níveis".

Stonewall, uma instituição que fez campanha contra a discriminação de soldados homossexuais, congratulou a iniciativa. Em declarações ao Sunday Mirror, Mandy McBain, porta-voz da instituição, afirmou que quanto melhor o Ministério da Defesa "conhecer o seu pessoal mais os poderão apoiar".

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Em declarações ao mesmo jornal, James Wharton, de 28 anos, o ex-soldado que sofreu agressões físicas no Household Cavalry's Blues and Royals por ser abertamente gay e que ficou famoso por salvar o Príncipe Harry, afirmou que esta "é uma notícia fantástica". No entanto, refere que alguns recrutas podem não estar preparados para revelar a sua orientação sexual, não devendo ser obrigados a fazê-lo.

Recorde-se que em 2009, o Ministério da Defesa Britânico foi obrigado a pagar cerca de 124 mil libras a uma soldado lésbica que foi assediada durante o seu tempo de recruta e que, por esse motivo, abandonou o exército britânico. Até ao momento não existem estatísticas disponíveis de quantos homossexuais pertencem às forças armadas. Contudo, sabe-se que antes de 2000 cerca de 298 homossexuais foram expulsos.