Foi anunciado esta terça-feira que Moscovo e Teerão teriam chegado a um acordo relativo às respetivas políticas de defesa. Segundo o Ministro da Defesa iraniano, Hossein Dehqan, este acordo permite a futura execução de exercícios conjuntos e instrução, assim como oferece contributos na "manutenção de paz" e "luta ao extremismo". Convém recordar que a visita do Ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, é a primeira feita por um alto oficial desse país ao Irão desde 2002, e que vem depois de em 2010 se ter cancelado um acordo para entregar mísseis terra-ar de longo alcance S-300, conhecidos na NATO como "Grumble", devido a sanções impostas a esse país relativamente a desacordos sobre o seu programa nuclear.

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Esta anúncio surge dias depois de as forças armadas ucranianas anunciarem a retomada do aeroporto de Donetsk e de afirmarem terem provas de que tropas russas, e não apenas rebeldes, os enfrentam no seu próprio território.

Este acordo também se segue a anúncios que referiam a venda de caças à China, Argentina, e Coreia do Norte, indicando uma tentativa de Moscovo de solidificar as suas alianças militares, não obstante as relações com alguns destes países terem arrefecido desde o virar do século. Por uns tempos existiu a esperança de que a Rússia se poderia tornar um aliado do Ocidente, como demonstra o cancelamento da venda dos mísseis S-300, feito no contexto do programa nuclear iraniano, que tem causado tantas dores de cabeça ao Washington DC e seus aliados. No entanto, desde que a liderança de Vladimir Putin se tornou mais sólida que esta possibilidade se foi tornando mais distante.

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Putin acusa o Ocidente de estar a "cercar" a Rússia, o que não será de todo uma ilusão, uma vez que a NATO falhou na sua promessa de se expandir para oriente, culminando na inclusão dos Estados Bálticos, literalmente às portas do grande estado eurasiático. A Guerra da Geórgia, em 2006, serviu, em grande medida, para desalentar quaisquer planos para ampliar a Aliança Atlântica. No entanto a crise voltou a aumentar com o início da questão ucraniana.

A ocupação da Crimeia e o apoio aos rebeldes pro-russos (se não for envolvimento direto, possibilidade repudiada pelo Ministros dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov) levaram o bloco ocidental em peso a lançar uma série de sanções económicas à Rússia, o que prejudicou severamente a economia desse país, embora com consequências para a Europa. A situação parece, no entanto, estar longe de acalmar, e ainda esta semana os aliados ocidentais decidiram que não iriam levantar as penalizações impostas à Rússia. Terá sido, pois, natural que Putin, sentido-se acossado, tenha procurado aliados noutros lados, inclusive velhos conhecidos que se teriam afastado entretanto. A similaridade de toda a situação com o caminho para a Primeira Guerra Mundial certamente que será evidente para muitos, e mais inquietante por isso mesmo.