Um dos co-fundadores do Charlie Hebdo discorda da decisão do jornal satírico francês de publicar cartoons do profeta Maomé e diz que está chateado com o falecido director da publicação, Stephane Charbonnier. Henry Roussel, actualmente com 80 anos, escreveu uma carta em que revela o seu ponto de vista, depois do ataque às instalações do periódico em Paris, no qual morreram 12 pessoas, incluindo Charbonnier. Roussel descreve "Charb" como "brilhante" mas "teimoso" e considera que o jornal foi longe demais com as suas imagens provocativas, particularmente após o ataque bombista de que foi alvo em 2011. Incidente que também aconteceu após a publicação de imagens que satirizavam o profeta.

Publicidade
Publicidade

"O que lhe terá feito sentir a necessidade de arrastar a equipa para fazer isto?", questiona Roussel na carta, publicada pela revista Nouvel Obs. "Estou chateado contigo, Charb", acrescenta. As palavras do co-fundador do Charlie Hebdo espelham bem o debate público que se tem verificado nos últimos dias sobre se são ou não apropriadas as representações de Maomé feitas pela publicação. De acordo com a imprensa britânica, o advogado do periódico, Richard Malka, condenou os comentários de Roussel, considerando-os "polémicos e venenosos".

O apelidado número dos sobreviventes do jornal, publicado na passada quarta-feira, expressa o apreço pela vaga de solidariedade que o Charlie recebeu deste o ataque de dia 7 de Janeiro. Apoio que continua, com o jornal a esgotar-se nos quiosques de Paris dia após dia.

Publicidade

Cerca de um milhão de cópias têm estado a ser impressas todos os dias desde quarta-feira. Este sábado, devido a problemas técnicos, saíram para a rua menos cópias do que o normal, mas a distribuição regular deverá regressar segunda-feira, segundo explicou no Twitter Michel Salion, porta-voz da publicação.

Entretanto, a oposição à capa da mais recente edição do periódico - com uma caricatura do profeta Maomé de lágrima no canto do olho, segurando um cartaz onde está escrito "Je Suis Charlie" e com o título "tudo está perdoado - resultou esta sexta-feira em violentos protestos em Karachi, Paquistão. Os manifestantes tentaram marchar até ao consulado francês mas foram barrados pela polícia, que utilizou canhões de água e gás lacrimogéneo para controlar a multidão. Um fotógrafo que trabalha para a AFP foi baleado no meio da confusão. As investigações estão em curso para determinar quem foi o autor do disparo.