Chegou ao fim a crise de reféns em Paris e em Dommartine-en-Goele, com o avanço das forças especiais francesas e a morte dos 3 atacantes, pouco antes das 16h, horário de Portugal. Na pequena povoação nos arredores de Paris, os dois últimos responsáveis pelo ataque ao jornal satírico francês Charlie Hebdo, do qual resultaram 12 mortos e 11 feridos (4 dos quais graves), os irmãos de ascendência argelina Said e Cherif Kouachi, foram mortos, e o refém que mantinham libertado. Ao mesmo tempo, outras forças policiais atacavam a mercearia em Porte de Vincennes onde outro homem mantinha diversos reféns. Infelizmente as últimas notícias falam de pelo menos quatro fatalidades entre estes últimos, no rescaldo do pesado tiroteio que envolveu a resolução da situação.

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Dever-se-á aqui registar a eficiência e prontidão dos homens envolvidos em ambos os resgates, que levaram a cabo estas operações com grande rapidez e, aparentemente, para total surpresa dos intervenientes, poucos minutos antes do pôr-do-sol. As imagens que aos poucos chegam às redações de todo o mundo não deixam de recordar, de certa maneira, uma situação similar que havia sucedido há poucas semanas na Austrália, onde um exilado de origem iraniana havia feito vários reféns, e foi morto durante uma operação relâmpago das autoridades australianas.

Apesar da aparente resolução da crise, permanece o facto de que o espectro do terrorismo e da intolerância religiosa regressou à Europa. Sobretudo em países que receberam muitos emigrantes vindos de regiões de índole islâmica, como a França e a Alemanha.

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Esta torna-se aos poucos numa questão especialmente premente. Já se deram vários ataques a mesquitas pela Europa, inclusive em Portugal, desde o ataque ao Charlie Hebdo, e ainda há pouco tempo foram organizadas manifestações contra a chamada "islamização da Europa" na Alemanha. Por um lado, podemos afirmar que estes homens conseguiram o que queriam, ao abrir velhas feridas nas sociedades ocidentais. Se estas querem continuar a caminhar para a aceitação da diversidade a elas inerente, então convém que não se deixem vergar por atos como estes.

Por outro lado, o medo torna-se real, e, como Dostoievski uma vez escreveu, "se tiverem de escolher entre segurança e liberdade, as pessoas escolherão sempre a segurança." Entretanto o líder do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah veio afirmar que ataques como este são mais insultuosos para o Islão do que quaisquer cartoons.