Um activista sul-coreano revelou, na passada quarta-feira, a intenção de introduzir o filme "The Interview" na Coreia do Norte, através do lançamento de balões de hidrogénio que transportarão DVDs e pens USB contendo a película. O objectivo? Tentar acabar com o culto de personalidade construído em torno do ditador Kim Jong-Un. Segundo os meios de comunicação internacionais, existirão planos para lançar 100 mil cópias do filme no país mais fechado do mundo.

Park Sang-hak é um dissidente norte-coreano que acredita que se a população do seu país vir o filme, poderá colocar em perigo o culto construído à volta de Kim Jong-Un.

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O activista acredita que a liderança absoluta da Coreia do Norte se desmoronará se a adoração ao líder Kim terminar. Sang-hak afirmou que, se as condições climatéricas o permitirem, esta iniciativa vai decorrer a partir do final de Janeiro e será realizada em parceria com a Human Rights Foundation. A fundação com sede nos EUA irá financiar a gravação dos DVDs. O filme será legendado em coreano.

Contudo, o plano poderá não ser tão eficaz, uma vez que apenas um número muito reduzido de norte-coreanos possui computadores ou leitores de DVD. Além disso, devido à cultura do medo imposta no país, acredita-se que muitos norte-coreanos provavelmente não correriam o risco de ver o filme com receio de consequências. A título de curiosidade, para se poder possuir um computador na Coreia do Norte é necessária permissão do governo, o que tem um custo bastante elevado, correspondente a cerca de três meses de salário de trabalhadores médios.

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Alguns sul-coreanos que moram perto da fronteira estão contra a iniciativa e incentivam os activistas a parar, receando retaliações por parte do regime ditatorial. Já os autores da iniciativa recusam-se a parar, alegando liberdade de expressão. De recordar que, em Outubro do ano passado, o país abriu fogo ao avistar balões gigantes que transportavam panfletos anti-Pyongyang. A publicidade foi lançada através da fronteira por activistas sul-coreanos e gerou uma troca de tiros entre as duas coreias.

A comédia, que descreve uma tentativa de assassinato contra Kim Jong-Un, está no centro da tensão que ressurgiu, recentemente, entre a Coreia do Norte e os EUA. Washington acusou Pyongyang de estar envolvida nos ataques de hackers sobre a Sony Entertainment, companhia detentora do filme. O regime do Kim Jong Un, por seu turno, negou as acusações, tendo ameaçado retaliar contra os EUA no caso de serem aplicadas sanções contra o regime. #Filmes