Correu mundo a notícia de que o jornal britânico "The Sun" teria acabado com uma tradição de mais de 40 anos - as meninas da página 3, conhecidas pela sua falta de pudor em expor os seus atributos da parte superior feminina. Principalmente as feministas celebraram o final destas raparigas em topless com muita alegria. Mas parece que tudo foi um lapso. Prova disso é Nicole, 22 anos, de Bournemouth, que chegou ontem às bancas com o habitual peito despido.

A página 3 do conhecido tablóide desvenda uma nova modelo em topless desde os anos 70. A notícia do jornal "The Times" a revelar que na sexta-feira passada teria sido publicada a última menina da página 3 e a posterior inexistência deste conteúdo desde o início da semana levou a rumores efectivos sobre o fim de uma era.

Publicidade
Publicidade

Os movimentos feministas regozijaram-se, assim como outras pessoas: existe, desde 2012, a petição online "Não queremos mais a página 3" por todo o Reino Unido. Pelo contrário, muitas das modelos que chegaram à dita página contestaram, e parece que as suas contestações foram ouvidas.

Ontem, a 22 de Janeiro - na sua coluna "Esclarecimentos e Correcções" - o jornal publicou um pedido de desculpas: apesar de relatos recentes noutros meios de comunicação, "gostaríamos de esclarecer que isto é a Página 3 e que esta é uma imagem de Nicole, 22, de Bournemouth. Gostaríamos de pedir desculpas aos jornalistas (...) que passaram os dois últimos dias a falar e a escrever sobre nós."

Tendo rejeitado declarações a outros meios de comunicação anteriormente, um aviso do porta-voz do "The Sun" chegou igualmente via Twitter: "Eu disse que era especulação e para não confiarem em pessoas que não pertencessem ao 'The Sun'.

Publicidade

Muitos estão prestes a fazer figura de pateta…", escreveu. E efectivamente, com Nicole e com um aviso na primeira página - "Tivemos um lapso mamário" - o jornal acaba com a especulação e continuará assim a celebrar o corpo feminino. As feministas gostaram, contudo, da publicidade e irão permanecer no combate contra o que consideram ser uma forma de exploração da mulher.

Ao "The Guardian", Vic Giles, director de arte do "The Sun" durante sete anos, contou como nasceu a famosa página: "Todas as páginas tinham de passar pelo editor, Larry Lamb (...). Um dia, no início dos anos 70, eu tinha escolhido uma imagem para a página 3. No entanto, Rupert Murdoch estava sentado na cadeira do editor enquanto que Larry estava reclinado no canapé do outro lado da sala. (...) Eu mostrei a minha versão brincadeira da página - o topless - para que os dois vissem. O Larry gritou imediatamente 'Não, isso irá fazer perder leitores'. Mas o Rupert disse: 'Eu gosto. Vamos publicar'. (...) No fim da semana os números estavam a aumentar a um ritmo fantástico e continuaram.

Publicidade

Muitos assumiram a origem da ideia. Eu fico feliz por contar que foi por causa do meu 'acidente' da Página 3".

Rupert Murdoch é o presidente da News Corporation, que detém jornais como o "The Sun" e o "The Times". E talvez tenha sido o responsável pelo que já é considerado apenas um grande golpe de marketing. #Entretenimento