Na semana passada, as forças pro-russas que enfrentam o governo ucraniano recomeçaram o ataque ao aeroporto de Donetsk, área que é alvo de um mortífero impasse desde que a crise militar se iniciou naquele país em Abril do ano passado. Esta nova onda de violência levou ao cancelamento de conversações de paz previstas para ter lugar em Berlim, causando ainda vários mortos e amplos danos materiais. As forças governamentais entretanto lançaram um contra-ataque, que inclusive utilizou carros de combate, conseguindo este domingo, segundo declarações de Kiev, recuperar o controlo sobre as ruínas do aeroporto, e forçar os rebeldes pro-russos a ceder terreno, recuando assim para as linhas de combate anteriores a esta nova ofensiva.

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Anúncio acontece no mesmo dia em que o presidente, Petro Poroshenko, falou para as milhares de pessoas reunidas em Kiev para uma marcha pela paz na região.

O conflito, conhecido como Guerra de Donbass, levou a uma nova cisão entre a Rússia e o bloco ocidental, que incluiu sanções, as quais prejudicaram severamente a economia russa, e a um aumento da agressividade militar de Moscovo. Aliás, há quem afirme que nas fileiras dos rebeldes pro-russos se encontram tropas do exército russo, assim como grandes quantidades de armamento sofisticado (incluindo mísseis terra-ar de longo alcance Buk, como aquele que abateu o avião da Malaysia Airlines no ano passado). Mais grave, no entanto, são os mais de 4800 mortos que o conflito já causou, incluindo os 13 civis mortos na semana que passou quando uma granada de artilharia atingiu um autocarro.

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Também existem mais de um milhão de refugiados, o que dá a toda a situação uma escala ampla e preocupante.

Os novos desenvolvimentos voltam a colocar em causa o plano de paz de 12 pontos definido em Minsk, numa reunião de alto nível feita em Dezembro do ano passado, situação que Moscovo afirma ser preocupante, culpando para o efeito a "escalada" feita no terreno pelas tropas governamentais. Entretanto na marcha pela paz deste domingo, o Presidente ucraniano reiterou que Kiev não iria ceder um único pedaço do país, confirmando declarações feitas por outros governantes ao longo dos últimos meses, que inclusive falavam de retomar a península da Crimeia, inserida no território da Federação Russa no ano passado, num gesto não repudiado por diversos países.

Não obstante os desenvolvimentos no terreno, existem indicações de que diversos países europeus estariam interessados em diminuir ou até terminar as sanções feitas a Moscovo, que também prejudicaram a economia da UE, lançando a discórdia nesta última enquanto os Estados Unidos e o Reino Unido tentam manter uma frente unida contra o que descrevem como "agressões russas".