A Uber, segundo informação que consta no próprio site, não é uma empresa de transportes. É uma aplicação móvel que "liga directamente os passageiros aos motoristas, tornando as cidades mais acessíveis, criando mais opções para os passageiros e mais #Negócios para os motoristas". Apesar disso, vê-se neste momento obrigada a suspender temporariamente as operações em Espanha, depois de um tribunal ter considerado a sua actividade ilegal na sequência de uma queixa apresentada no inicio do mês de dezembro pela Asociación Madrileña del Taxi, uma organização de taxistas de Madrid.

A Uber dispõe de várias modalidades, em vários países, incluindo Portugal. Em Espanha, a Uber disponibiliza a versão uberPOP, um serviço de baixo custo que permite aos motoristas usarem veículos de gama baixa/média e permite aos passageiros dividir a tarifa. A Uber está presente em Espanha desde abril de 2014.

Segundo o acórdão do tribunal espanhol, os motoristas da Uber em Espanha "não têm autorização administrativa para a realização do trabalho e a actividade que realizam constitui concorrência desleal", O juiz citou a "concorrência desleal" como razão para proibir o serviço no país.

Num post colocado no seu blog, intitulado "Respeitar a lei e suspender temporariamente a uberPOP em Espanha", a empresa declarou que irá acatar a decisão. A empresa diz ainda que pretende "colaborar com os políticos espanhóis" para desenvolver um novo e necessário quadro legislativo, que permita criar um espaço para a "economia colaborativa", nome dado pela Uber e outras empresas à partilha de serviços entre cidadãos.


A Uber é conhecida pelas suas tácticas de expansão notoriamente agressivas, o que torna este comportamento algo surpreendente. No início de dezembro a Uber concordou também em parar temporariamente de operar em Portland, nos EUA. Já na Índia, a empresa viu-se forçada a suspender o serviço e a colaborar com as autoridades locais, após os seus serviços terem sido proibidos em Deli, no seguimento da violação de uma mulher por um motorista Uber.


Apesar do CEO da Uber, Travis Kalanick, ter anunciado no mês passado a angariação de fundos na ordem dos 1,2 mil milhões dólares, o que poderia significar óptima saúde financeira e credibilidade no projecto, a empresa foi até ao momento proibida de operar na Bélgica, França, Holanda, Espanha, para além de enfrentar obstáculos regulatórios na Coreia do Sul, Filipinas, Índia, Taiwan, Tailândia, e em diversas cidades e estados norte-americanos.