Segundo informações veiculadas pelo próprio gabinete do Presidente Vladimir Putin, este último não irá comparecer ao memorial organizado em memória da libertação do campo de morte de Auschwitz, na Polónia, por tropas soviéticas no meses finais da Segunda Guerra Mundial. O porta-voz do Kremlin afirmou também que Putin não havia recebido nenhum convite para comparecer à cerimónia, não obstante assumir que "convites oficiais não são necessários para este tipo de eventos". Desculpou-se ainda dizendo que outros assuntos teriam ocupado o Presidente, impossibilitando a sua presença. Esta situação é a mais recente na já longa novela que tem assumido predominância no relacionamento entre Moscovo e a NATO, da qual a Polónia é membro ativo, relacionada com a Guerra em Dombass e o enregelamento das relações entre a Rússia e o Bloco Ocidental, naquilo que muitos já chamam de alvorada de uma nova Guerra Fria.

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Auschwitz não era apenas um campo, mas sim uma vasta rede de campos ligados à "Solução Final" daquilo que o regime Nazi declarava ser o "Problema Judaico". Entre os diversos complexos associados havia locais de concentração, campos de trabalho e as infames câmaras de morte. A escala e o horror deste local tornaram-se históricas, com mais de um milhão de prisioneiros, sobretudo judeus, a morrerem dentro das suas paredes. Cerca de 7000 membros das SS (Schutzstaffel - usualmente traduzido como "corpo de proteção" e responsável pela execução de ordens diretas das altas instâncias do Partido Nazi) geriram o campo.

Em 27 de Janeiro de 1945, as tropas soviéticas, cujo avanço era já imparável após as grandes vitórias do ano anterior, alcançaram o campo. Como sucedeu um pouco por toda a Europa, incluindo do lado Ocidental, onde os Americanos, Britânicos e Franceses avançavam desde o Desembarque da Normandia e a Libertação de Paris, o primeiro contacto com estes complexos representou a absoluta confusão para as tropas que os libertaram.

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O que viam e o que lhes era contado era simplesmente inacreditável. Não obstante, a maioria dos prisioneiros já havia sido enviada para a Alemanha, onde eventualmente seriam os Britânicos a libertá-los.

Nos anos subsequentes vários sobreviventes haveriam de escrever as suas memórias sobre este local, ajudando a cristalizá-lo como o grande símbolo do Holocausto. Isto apesar de o governo soviético ter tentado dar pouca relevância ao facto, uma vez que preferiam não dar importância à questão judaica. Em 1979 as estruturas sobreviventes de complexo seriam declaradas como Património Mundial da UNESCO, para que nunca se esqueça o quão inumano o Homem pode ser para o próprio Homem. #História