Uma das características quiçá mais marcantes da Segunda Guerra Mundial é a aparente facilidade de se distinguirem os "bons" dos "maus". Apesar de todos os horrores da guerra, as tendências genocidas das lideranças das potências do Eixo, nomeadamente a Alemanha e o Japão, deram-lhes uma aura de maldade junto da imaginação pública que poucas outras fações na história da humanidade conseguem ainda hoje igualar. Perante esta imagem, torna-se quase fácil esquecer que mesmo os Aliados, que passam facilmente pela fação mais "justa" quando se imagina este confronto, também cometeram a sua quota de crimes de guerra. Também se torna fácil esquecer o sofrimento, muitas vezes atroz, dos cidadãos alemães e japoneses, massacrados nas campanhas de bombardeamento estratégico levadas a cabo pelos americanos e pelos britânicos.

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Os ataques contra alvos civis na Segunda Guerra Mundial começaram logo desde o início, com as campanhas genocidas na Polónia, mas o que subiu a parada contra a Alemanha foi o bombardeamento de Londres e outras cidades britânicas em 1940. Inicialmente feitos por engano, a pronta resposta britânica levou a um aumento da agressividade por ambos os lados. Apesar de o Reino Unido estar terrivelmente enfraquecido pela derrota na Batalha de França, alguns generais pensaram que os bombardeiros seriam uma boa maneira de atacar a Alemanha sem terem de avançar com tropas terrestres, e deu-se assim início a esta "frente aérea" da guerra. Alguns teóricos até assumiam que o horror dos bombardeamentos levaria os civis alemães a revoltar-se contra os Nazis. Mas isso não iria acontecer.

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Os chamados Raides dos Mil Bombardeiros, que implicavam centenas de aeronaves a largarem bombas sobre as cidades alemãs, iniciaram-se nos primeiros meses de 1941, mas rapidamente se chegou à conclusão de que os explosivos convencionais não causavam estragos suficientes. No ano seguinte os Estados Unidos juntavam-se à guerra e, apesar dos avisos britânicos, que bombardeavam de noite por causa da ameaça dos caças alemães, os americanos começaram a bombardear de dia, mantendo uma pressão constante sobre as cidades. As baixas entre as tripulações revelaram-se horrendas.

Esta superioridade material levou ao desenvolvimento de outra teoria, a de que um bombardeamento sustentado com bombas incendiárias causaria uma tempestade de fogo que devastaria cidades inteiras. Na noite de 13 de Fevereiro de 1945 esta nova tática chegou a Dresden. Centenas de aeronaves britânicas fizeram chover bombas incendiárias que pegaram fogo à cidade. O vento causado pelo calor alimentou as chamas, devastando os edifícios, substituindo o oxigénio por vapores sulfurosos nos abrigos, derretendo o asfalto na estrada, reduzindo os infelizes habitantes a carcaças calcinadas.

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De dia os americanos regressaram para sustentar o incêndio. O horror foi indescritível. Aquando do sobrevoo final, na tarde do dia 15, haviam já morrido 25.000 pessoas.

Por esta altura os bombardeamentos haviam-se tornado numa ferramenta auto-sustentável. Isto quer dizer que os custos tanto nas tripulações como no inimigo implicavam que deveria haver ganhos, o que por sua vez implicava a continuação dos raides sobre as cidades. O valor militar de Dresden tem sido debatido desde então, mas o bombardeamento continua a valer, acima de tudo, como uma lembrança dos horrores daquela época. #História