A Grécia ganhou novo fôlego com o anúncio da suspensão dos compromissos financeiros internacionais. Afinal o que ofuscava o grego comum não era a economia, mas instituições e organizações centrais como a União Europeia, o Banco Central Europeu, e o FMI. "Que tenho eu a ver com esta dívida?", perguntava Ionas, estudante de matemática de Atenas. Nada, é a resposta. É apenas um negócio finito entre grupos de predadores financeiros organizados em instituições e lugares não eleitos. E a finitude da dívida estava na mão dos eleitores gregos.

Mas agora a Grécia enfrenta uma nova dificuldade: a resistência da elite financeira grega.

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Esta elite, que até agora se esquivou aos esforços do povo grego, é manifestamente o principal obstáculo ao recém eleito governo grego e à sua medida internacionalmente panfletária de não pagar mais dívida. Porque o status quo da elite financeira grega não desapareceu, está a resistir. Por isso o recém eleito governo grego enfrenta uma realidade: só pode avançar com as suas medidas quando o sistema financeiro grego efectivamente cair. E só pode cair quando a oligarquia financeira ruir completamente.

Para já o povo grego enfrenta a ameaça de terrorismo financeiro por parte da elite grega, habituada a isenções e mordomias. Porque mexer na elite é mexer na economia, nas pensões e na estrutura económica do consumo. Para acabar com a resistente elite grega, é preciso primeiro sacrificar as classes pobres que vivem da esmola da segurança social e só depois dominar a gestão financeira da segurança social entregue à banca, propriedade da oligarquia financeira grega.

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Por que não se pode acabar com uma estrutura opressiva quando esta se apoia no que oprime. Esse é o génio da elite financeira grega - e de todo o mundo ocidental - ; por isso, para a elite desaparecer é preciso que a pobreza das classes desfavorecidas, que a alimenta, desapareça. Está o governo de Tsipras do Syriza preparado? Tsipras precisa de um colapso económico "adequado": que seria, nem abrupto, que empobreceria massivamente os gregos e geraria o caos social e financeiro, nem suave, que geraria a mesma situação a médio prazo e dava tempo a que a elite financeira se reorganizasse.

Mas a evidente solução é o colapso total do sistema financeiro grego, por fases, que garanta simultaneamente os direitos fundamentais dos mais pobres (a grande maioria) e impeça a opressão financeira da ínfima elite financeira grega.