As companhias aéreas asiáticas têm sofrido de um certo estigma, recentemente, que não é totalmente imerecido, uma vez que, não obstante acidentes e incidentes poderem muitas vezes estar dependentes de elementos fora do controlo dos envolvidos, noutras ocasiões essa desculpa não pode ser usada. Esta Sexta-feira um Airbus A330 da Korean Air, a maior transportadora aérea da Coreia do Sul, descolou do aeroporto de Yangon, Myanmar, com 145 pessoas a bordo (134 passageiros e 11 tripulantes) após ter atingido a cauda de um avião da Bangladesh Airlines com a ponta da asa, enquanto ainda se deslocava na pista, causando estragos nas duas aeronaves. Apesar de a tripulação ter afirmado não ter dado pelo embate, o pessoal de terra do aeroporto havia aparentemente visto a colisão e avisado a torre, mas os pilotos do Airbus coreano descolaram ainda assim, iniciando o voo para Seul.

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No entanto, o avião acabou por dar a volta pouco tempo depois para voltar a aterrar na capital de Myanmar, depois de confirmados os estragos sofridos.

O incidente será certamente menor, uma vez que não houve feridos, mas vem no encalço de um ano extremamente negativo para as companhias aéreas asiáticas, marcado inclusive por polémicas relacionadas com as estratégicas comerciais hiper-agressivas e uma marcada "corrida para o fundo" que procura levar os rivais à bancarrota ao forçar uma tal descida de preços que o negócio se torna inviável. Este contexto surge após várias destas companhias terem surgido com o recente desenvolvimento económico da região, adquirindo frotas vastas para fazer face à procura.

Também se verifica a falta de um órgão geral que faça a administração destas companhias, como sucede na Europa e na América do Norte.

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Soma-se a isto o facto de que certas transportadoras tentam poupar em manutenção, enquanto que os trabalhadores são, na generalidade, levados aos limites. Entre si, todos os estes motivos são apontados como responsáveis, ainda que parcialmente, pelos três incidentes de grande relevância mediática do ano que passou.

Neste contexto, incidentes como o desta Sexta-feira pouco fazem para melhorar o nome destas companhias. No entanto, estão atualmente em curso tentativas de conseguir melhorar os níveis de segurança. Por fim, é preciso recordar que a Korean Air é uma empresa ligada ao governo de Seul, considerada uma das maiores do mundo, e com um historial bastante positivo.