Já havia sido previamente referido neste espaço que, face à predominante repreensão internacional das suas ações e princípios (talvez com exceção da Turquia de Erdogan e outros agentes aos quais interesse o atual ambiente de instabilidade no Médio Oriente), o Estado Islâmico (EI) estaria finalmente a começar a perder terreno, após ter ocupado imensas áreas da Síria e do Iraque durante o ano passado. Durante todo esse tempo, as forças que mais consistentemente combateram os militantes da organização foram as curdos Peshmergas (assim chamados pelo seu estatuto guerreiro dentro da comunidade curda) e, mais recentemente, foram estes homens e mulheres que forçaram um recuo bastante evidente do EI no Norte, expulsando-os da sitiada cidade de Kobani, junto da fronteira turca, com imensas baixas para os islamitas.

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Equipados e apoiados pela NATO, os curdos tornaram-se num símbolo da luta contra esta organização.

Mais recente, a cruel execução do piloto jordano Mouath al-Kasaesbeh, que foi queimado vivo numa jaula, levou a fortes declarações públicas do rei Abdullah II da Jordânia e da união do seu povo contra o EI, clamando vingança e apoiando uma série de ataques aéreos que terão destruído até 20% das capacidades combativas da organização. Caças F-16E (6 aeronaves que estão entre as mais avançadas do mundo dentro deste modelo) dos Emiratos Árabes Unidos, que haviam sido retirados das operações em finais de Dezembro passado após a captura de al-Kasaesbeh, regressaram à Jordânia na semana passada para se juntarem aos combates. Vieram acompanhados de material bélico para sustentar as operações, uma vez que as forças militares de Amã estariam a ficar sem munições.

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Abdullah II prometera ainda futuras operações, ainda não detalhadas, contra esta ameaça.

Apesar do ataque em duas frentes e da evidente degradação das suas capacidades, o EI parece não estar ainda próximo da derrota. Pelo contrário, a brutal execução do piloto jordano, não obstante a censura a nível internacional, pareceu ter conseguido convencer até 20.000 pessoas de todo o mundo a viajar para o Médio Oriente para se juntarem às suas fileiras, indivíduos atraídos por uma brutalidade que se confunde com força. Estes reforços poderiam ajudar o EI a recuperar a iniciativa no terreno. Um general curdo teria hoje avisado que as suas forças estariam a atingir o limite da sua capacidade ofensiva, e que em breve o inimigo poderia utilizar esse facto e os seus reforços para voltar a pressionar a frente.

Foi dentro deste contexto que o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, apresentou oficialmente esta Quarta-feira o seu pedido de aumento do comprometimento militar contra o EI ao Congresso, incluindo forças terrestres.

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Apesar de dizer saber que esta não seria uma tarefa fácil, o Presidente também disse que não se esperaria uma "guerra eterna" como sucedera no Iraque e no Afeganistão, mas que também nada teria mudado no comprometimento americano de destruir o EI e que a organização "iria perder" no fim. No entanto existe algum ceticismo referente à possibilidade de a autorização ser decretada.

Enquanto a batalha política se dá em Washington, outras notícias referem a chegada de grandes quantidades de armamento, algum bastante sofisticado, ao Líbano, para suportar as tropas locais contra os militantes islâmicos.