Eddie Ray Routh foi esta terça-feira condenado a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional pelo assassinato de Chris Kyle, membro dos Navy SEALS, que inspirou o filme American Sniper, e do amigo Chad Littlefield. O crime data de fevereiro de 2013, num campo de tiro no norte do Texas, quando os três homens praticavam tiro, numa tentativa de ajudar Routh, antigo fuzileiro, que sofria problemas psicológicos depois de servir no Iraque e no Haiti.

De crime confessado, a melhor hipótese da defesa era conseguir a inocência declarando o estado de insanidade mental do arguido, resultante do stress pós-traumático, após o serviço militar, e de delírios esquizofrénicos.

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No entanto, um relatório do psicólogo forense Dr. Randall Price concluiu que Routh não sofria de insanidade mental, contudo sofria de um distúrbio paranóico que piorava com o consumo de álcool e marijuana, designado "psicose induzida por canábis".

Descrito pela acusação como um consumidor de drogas problemático, mas com noção do certo e do errado, independentemente de qualquer distúrbio mental, o antigo fuzileiro foi condenado a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional pelo júri composto por dez mulheres e dois homens.

O julgamento decorreu ao longo de duas semanas na cidade de Stephenville, no Texas. Foi especialmente mediático por uma das vítimas se tratar da personagem principal de American Sniper, filme de Clint Eastwood, com Bradley Cooper como protagonista e indicado para seis Óscares da Academia, incluindo Melhor Filme.

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Chris Kyle foi nomeado com o título de sniper mais letal da história do exército dos Estados Unidos, com 255 assassinatos, 160 confirmados pelo Departamento de Defesa norte-americano nas quatro incursões ao Iraque em que participou. Figura polémica, considerado um herói por uns, e desprezado por outros, recebeu várias das mais altas condecorações das forças armadas por atos de heroísmo, incluindo duas medalhas de prata, cinco medalhas de bronze, uma medalha de louvor da Marinha e Fuzileiros Navais, duas medalhas por feitos heróicos da Marinha e Fuzileiros Navais, entre muitos outros prémios pessoais. Kyle foi dispensado da marinha norte-americana em 2009, tendo posteriormente escrito o livro autobiográfico American Sniper: The Autobiography of the Most Lethal Sniper in U.S. Military History, que rapidamente se tornou um bestseller e que inspirou o já referido filme de 2014 de Clint Eastwood.