Há pelo menos um morto no tiroteio que alvejou um café de Copenhaga, onde se realizava uma reunião sobre a liberdade de expressão, que contava com a presença de um artista sueco que tinha caricaturado o profeta Maomé. O canal TV2 referiu que havia cerca de 30 buracos de bala na janela do café Krudttoenden e disse que pelo menos duas pessoas foram levadas em macas, incluindo um policia. Mas a Ppolícia refere-se a 1 morto, um homem de 40 anos, e 3 feridos, num centro cultural onde o controverso artista Lars Vilks e o embaixador francês na Dinamarca participavam numa conferência acerca da liberdade de expressão.

O café no norte de Copenhagen, conhecido pelos seus concertos de jazz, estava a realizar uma palestra intitulada "Arte, maledicência e liberdade de expressão", quando os tiros foram disparados. O tiroteio deu-se na parte da tarde de sábado, e a policia confirmou que os suspeitos do ataque eram três, vestiam de preto e utilizaram como carro de fuga um VW Polo, encontrado abandonado, não muito longe dali. O embaixador francês na Dinamarca, François Zimeray, também tinha sido convidado para a palestra e estava presente durante o ataque.

Zimeray deu um relato dramático do ataque à agência de notícias AFP:  "Dispararam sobre nós a partir do exterior. Foi a mesma intenção do ataque (em 7 de Janeiro) Charlie Hebdo, excepto os atacantes não terem conseguido entrar. Intuitivamente, eu diria que havia pelo menos 50 tiros, mas a polícia de Copenhaga refere-se a 200. As balas atravessaram as portas e todos se deitaram no chão. Conseguimos fugir do compartimento, mas estamos ainda cá dentro porque é perigoso. Os atacantes não foram capturados e poderão estar nas redondezas".

Em Paris, o governo francês anunciou que o ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, irá para Copenhaga "o mais rapidamente possível". E o ministro das Relações Exteriores francês já condenou o atentado, que ele classificou como sendo "um ataque terrorista".

Curiosamente o debate foi retomado após o tiroteio, de acordo com um dos co-organizadores, Helle Merete Brix, que disse à TV2 News: "as pessoas reagiram com muita calma, e o encontro continuou. Nós não poderíamos fugir, por isso, o nosso debate continuou". Brix adiantou ainda: "eu e Vilks estivemos juntos de mão apertada um ao outro durante o ataque, ele foi muito especial comigo. Quando tudo parecia acabado, levantamos-nos e dissemos piadas de mau gosto. Os guarda-costas fizeram um trabalho tremendo. Mas será uma lembrança dramática e desagradável acerca de quem somos nestes tempos". A organizadora do evento está certa que "o ataque dirigiu-se a Lars Vilks".

Lars Vilks, o artista sueco, descreve-se a si mesmo como "um alvo constante". O artista concorda que ridicularizar a #Religião em si mesma, não tem um valor agregado,  "você precisa ter um objectivo". Porque ele rejeita a ideia que artistas e humoristas se devem auto-vigiar nas críticas ao Islão. Os muçulmanos estão sujeitos a uma regra teológica perversa quando se trata de direitos humanos. Você não pode ignorar isso" comentou o artista já depois dos atentados.

Lars Vilks desenhou em 2007 uma imagem do Profeta como um cão numa rotunda de uma cidade. Por isso, a Al-Qaeda colocou no Iraque uma recompensa de 150.000 dólares pela sua cabeça e protestos eclodiram em todo o Oriente Médio. Vilks anda agora protegido por guarda-costas - e o seu grupo de segurança foi aumentado na sequência dos atentados de Paris - e saiu ileso do atentado de hoje. #Terrorismo