No fim-de-semana passado um vídeo distribuído pelo Estado Islâmico (EI) revelava a decapitação de 21 cristãos coptas egípcios, causando uma reação violenta por parte do governo do Cairo, que lançou uma série de ataques aéreos sobre o Líbia, na segunda-feira, para destruir alvos relacionados com o EI. Esta quarta-feira, numa entrevista à rádio francesa, o Presidente do Egipto, Abdel Fattah al-Sisi, falou da necessidade de uma intervenção das Nações Unidas naquele país do Norte de África para se tentar contrariar o crescente domínio das milícias islâmicas. Disse também que o Egipto não "permitiria que eles (o Estado Islâmico) cortassem as cabeças dos seus filhos." Convém recordar que a Líbia tem sofrido de uma grave crise política desde a deposição de Gaddafi aquando da guerra civil, em 2011, com milícias ligadas a diversas fações tribais a confrontarem-se entre si, enquanto também combatem o governo, numa situação caótica que permite a organizações terroristas internacionais treinarem e prepararem os seus militantes e que já levou o governo de Tripoli a pedir ajuda internacional.

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A presença do EI na Líbia é certamente preocupante, e, pior ainda, um relatório, apresentado pela instituição anti-terrorista britânica Quilliam, indicou que a organização estaria a planear uma invasão da Europa. O plano implicaria o transporte em segredo de guerrilheiros, disfarçados de imigrantes ilegais (os quais viajam às centenas pelo Mediterrâneo em busca de uma vida melhor na Europa, morrendo também em grandes números quando os navios em que viajam se afundam, naquela que é considerada uma das grandes tragédias ignoradas do nosso tempo). Mesmo que apenas alguns militantes conseguissem chegar à Europa, poderia ser o suficiente para lançar o caos, como ficou demonstrado nos recentes ataques em França e na Dinamarca (que com um pouco de imaginação poderiam ser vistos como testes para estratégias futuras).

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A curta distância entre a Líbia e a Itália, apenas de 300 quilómetros, torna este plano perfeitamente viável, e até preocupante. Atento a todas estas questões, o governo italiano pediu uma reunião de emergência à ONU para esta quarta-feira, de modo a poder debater-se a espiral de caos na Líbia. Apesar de o Ministro da Defesa Paolo Gentiloni declarar não acreditar que exista uma ameaça imediata à Europa neste momento, também afirmou que os confrontos entre milícias, a crescente influência de organizações terroristas, e a falta de assertividade do governo local tornam quaisquer iniciativas de paz para a região questionáveis na melhor das hipóteses. Itália, juntamente com os Estados Unidos, França, Alemanha, Espanha e Reino Unido, defendeu que se deveriam tomar medidas para resolver a questão, mas também que qualquer tentativa de ação militar, similar à tomada em 2011, requereria o apoio de Tripoli.

Entretanto, noutras frentes, o EI lançou no início desta semana uma nova ofensiva contra as forças curdas, no Norte do Iraque.

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Estas milícias têm sido as forças mais eficientes no combate à organização terrorista, mas estão no limite das suas capacidades, e mesmo com os raides aéreos da Jordânia, mais para o Sul, poderão não ser capazes de manter o ímpeto por muito mais tempo. Como previsto, o EI ainda irá dar muita luta antes que finalmente comece a ceder. #Terrorismo