O Banco Central Europeu (BCE) anunciou esta quarta-feira que suspende a dispensa de regras de rating mínimo para aceitar títulos da dívida grega nas suas operações de refinanciamento; os títulos eram aceites desde 2010 como colateral para obtenção de liquidez.

Esta dispensa, que estava em vigor até hoje, permitia o uso de títulos de dívida grega nas operações de política monetária do BCE sem que cumprissem os requisitos mínimos de rating, uma vez que a Grécia estava sob programa de resgate. Lembre-se que o BCE só aceita como colaterais os ativos que estejam com um rating acima de lixo em pelo menos uma das agência de rating consideradas: Standard&Poor's, Moody's , Fitch e a DBRS.

A decisão é tomada poucas horas após a reunião de Yanis Varoufakis, ministro das finanças grego, com Mario Draghi, presidente do BCE.

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Esta decisão entra em vigor já próxima semana, dia 11 de Fevereiro, altura em que vence o atual empréstimo, aumentando assim a pressão sobre o governo grego, que tem procurado nestes últimos dias um entendimento com os outros países da zona euro, mas que já afirmou por diversas vezes que não pretende concluir o atual programa da Troika. No comunicado no seu sítio oficial, o BCE esclarece que esta decisão é baseada no fato de atualmente não ser possível assegurar a conclusão bem sucedida do programa da troika na Grécia, de acordo com as regras do Eurosistema. Yanis Varoufakis, ministro das finanças grego, afirma no entanto que esta decisão do conselho de governadores do BCE não prejudicará o setor financeiro do país, que "continua totalmente protegido, graças aos demais canais de liquidez disponíveis".

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Cabe agora ao banco central da Grécia recorrer ao programa de liquidez de urgência. Outra solução passará também por os bancos gregos continuarem a pedir dinheiro emprestado ao BCE, mas apresentando outras garantias que não sejam títulos de dívida pública grega. De qualquer forma, esta decisão poderá provocar uma nova corrida aos bancos gregos que, dias antes das eleições, já tinham visto serem retirados mais de 14 mil milhões de euros em depósitos.