Num momento em que a Grécia está em contra-relógio para encontrar uma solução para o financiamento da sua economia, é afirmado por uma fonte do governo alemão a um jornal de referência na área de economia que o Banco Central Europeu (BCE) está a considerar retirar-se da "Troika" de credores internacionais que dá atualmente apoio ao resgate da Grécia. Esta fonte do governo alemão, que não quer ser identificada, afirma ainda que o Fundo Monetário Internacional (FMI) também já mostrou interesse em abandonar o programa de financiamento, deixando a Comissão Europeia como a única participante no resgate. Recorde-se que o atual presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, proferiu as seguintes palavras ao Parlamento Europeu: "No futuro, temos de poder substituir a troika por uma estrutura mais responsável, mais legitimamente democrática, que preste contas dos seus atos".

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Esta frase tem levado a crer que as negociações estão a ser realizadas essencialmente entre a Comissão Europeia e a Grécia.

O maior credor da dívida grega é o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (mais de 40%), fundo criado pela Comissão Europeia em 2010 como resposta à crise económica e financeira mundial, pelo que se os gregos pretenderem obter uma renegociação da sua dívida - como a diminuição das taxas de juro - terão de convencer em primeiro lugar os restantes países do Eurogrupo. Nesta segunda-feira, o grego Margaritis Schinas, porta-voz da comissão, esclareceu ser necessário "ter o acordo unânime dos 19 membros da zona euro" para ser possível a renegociação do programa financeiro.

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, assim como o seu ministro das finanças, Yanis Varoufakis, realizam esta semana uma série de reuniões com líderes dos países da zona euro, na procura de um entendimento, sendo que uma dessas reuniões será realizada esta quarta-feira com Jean-Claude Juncker, em Bruxelas (Bélgica).

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Deste modo, estas reuniões que passarão especialmente por Bruxelas, Paris, Londres e Roma (não inclui ainda a Alemanha), serão determinantes para um entendimento sobre um programa que poderá reger a Grécia nos próximos tempos. Até porque está rejeitada por agora a possibilidade, por parte de Alexis Tsipras, de recorrer à ajuda de países terceiros à zona euro, nomeadamente ajuda vinda da Rússia (apesar de recentemente se ter oposto oficialmente a um pacote de sanções contra a Rússia).

Especialistas em assuntos europeus chamaram entretanto a atenção para o interesse dos investidores russos em vir a aplicar o seu dinheiro na Grécia, por forma a minimizarem as suas perdas decorrentes das recentes sanções impostas à Russia, pelo que existe sempre essa possibilidade em aberto se os bancos gregos continuarem a precisar de liquidez.