O momento é histórico e desafia a natureza. Esta tarde, o Parlamento do Reino Unido aprovou a "criação" de bebés constituídos pelo ADN de três indivíduos, a saber duas mulheres e um homem. A questão levanta vários problemas de ética e segurança. Mas, a ser confirmada a votação pela Câmara dos Lordes, no próximo mês, num processo legislativo que não vigora entre nós, este tornar-se-á o primeiro país a permitir legislação que favorece a introdução de técnica capaz de controlar a transmissão de doenças genéticas, da mãe para o filho, mas, ao mesmo tempo, a prever a existência de uma pessoa com duas mães.

Na Câmara dos comuns, o voto era livre e 382 parlamentares manifestaram-se a favor daquela que foi considerada "a luz ao fundo de um túnel escuro para muitas famílias" contra 128, que repudiaram tal alteração à Lei da Fertilização em Vitro (Human Fertilisation and Embryology Act 2008).

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A técnica em questão foi desenvolvida por cientistas Britânicos de Newcastle, mas outros especialistas já apontaram aquele que se constituiria como um "erro histórico", pois a criança estaria em risco de vir a nascer com malformações e cancro. Mas Jane Ellison, representando o Departamento de saúde pública, garantiu que "todos os procedimentos contundentes com a razoabilidade e rigor da proposta foram observados", pelo que apelidou este de um "acto de coragem informada" do parlamento.

Estima-se que 2500 mulheres no Reino Unido venham a beneficiar com esta proposta. Entre elas, Sharon Bernardi, que perdeu sete filhos vítimas de miopatia mitocondrial, diz estar muito emocionada com a decisão. Mas Jacob Rees Mogg, que se posicionou contra a proposta, insiste que o que está em causa "não é curar alguém", mas antes "criar alguém diferente", pelo que a comparação que tem sido feita a transfusões sanguíneas se apresenta, no entender do mesmo, "simplesmente errada"!

Por seu lado, o antigo Ministro da Ciência, David Willetts, argumenta: "compreendo que existem objecções importantes (...), mas foram 15 anos de investigação e sete anos de escrutínio, que conduziram a esta proposta, sem uma única objecção concreta relativa à segurança do método".

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