Avijit Roy e a sua esposa Rafida Ahmed foram atacados a golpe de machado em plena luz do dia, na via pública, em Daca, capital do Bangladesh. Avijit faleceu, enquanto Rafida se encontra em estado grave. Avijit era autor de um blog famoso pelos seus pontos de vista laicos e ateus, contra a religião e em particular contra o islão, a religião dominante no Bangladesh. O crime foi perpetrado por radicais religiosos para silenciar uma voz incómoda.


Aos 42 anos, Avijit Roy, que tinha também nacionalidade norte-americana, já havia publicado vários livros sobre secularismo, livre-pensamento e ateísmo. Enquanto autor polémico e com muita audiência, Avijit era um símbolo dos valores do humanismo secular e da liberdade de expressão que permite que cada um exponha, livremente, as suas ideias. Avijit Roy já havia recebido várias ameaças, quer nas redes sociais quer por e-mail, por parte de extremistas e radicais. O Público cita Imran Sarker, presidente de uma associação de bloggers no Bangladesh, que se manifesta "receoso" pela segurança dos escritores no país."


A semelhança com o caso Charlie Hebdo é evidente e merece a mesma solidariedade. Neste caso, Gustavo Santos pode estar descansado. Avijit Roy não era um cartoonista  à procura de chocar através da piada fácil e brejeira. Era um pensador que divulgava, de forma séria e sistemática, a mensagem de que podem existir alternativas filosóficas à religião. E, ao contrário dos cartoonistas do Charlie Hebdo, não o fazia num país de maioria agnóstica. O Bangladesh tem 160 milhões de habitantes, 90% são muçulmanos e o ateísmo é minoritário. A dose de coragem necessária para encarnar este papel é muito maior no Bangladesh que em França. Ainda assim, Avijit só foi calado pela força do machado. Contudo, como dizia o poeta, "não há machado que corte/a raiz ao pensamento".


Até ao momento, lamentavelmente, a morte de Avijit não teve atenção por parte dos governos ocidentais. Não consta, também, que tenha havido agentes da Mossad envolvidos no caso. Mas o crime foi devidamente reivindicado por um grupo islamita auto-intitulado Ansar Bangla 7.