O governo inglês tem vindo a ser confrontado com evidências da ilegalidade da vigilância oficial. A vigilância foi ao ponto de gravar conversas entre advogados ingleses e os seus clientes. Atrás destas interferências estavam diversos serviços. entre os quais os serviços militares de inteligência britânica (Military Inteligence, Section 5 and 6 - MI5 e MI6).

Há semanas atrás tinha sido divulgado que o Investigatory Powers Tribunal (IPT) tinha decidido que a partilha de informações entre os serviços de espionagem NSA (E.U.A.) e a britânica GCHQ era ilegal. Esta noticia tinha sido uma pequena derrota para o governo britânico, que insistia em continuar a gerir o silêncio acerca da actividade ilegal da vigilância aos cidadãos. Mas, subitamente, o governo britânico parece começar a reconhecer o seu erro na politica de vigilância aos súbditos de "Sua Majestade", refere o The Guardian. O governo inglês terá admitido ter prestado serviços ilegais à população através das suas agências de inteligência, MI5 e MI6, quando escutava, admitiu, conversas entre advogados e os seus clientes.

A Convenção Europeia dos Direitos Humanos (CEDH) proíbe terminantemente o acesso e escuta a comunicações privilegiadas para efeitos legais. O facto de o governo britânico ter admitido a sua interferência no regime da Convenção "está a constituir um desafio legal em Inglaterra", citando o The Guardian, que levará a que o governo de Cameron esteja presente em tribunal para ser ouvido já no inicio do próximo mês. O governo conservador inglês usava as escutas para obter antecipadamente vantagens legais em tribunal. Mas agora reconhece, através de comunicado, que as politicas do governo inglês de interferência na vida privada, que remontam a Janeiro de 2010, "não cumpriram integralmente os requisitos da CEDH", especificamente o artigo 8 (direito à privacidade). O governo inglês reconhece mesmo ter "havido infracção intencional" por parte das agências de segurança e de inteligência, e que "possa ter levado a abusos nos processos cíveis e criminais". Mea Culpa surpreendente, do governo inglês.

A vigilância da privacidade é cada vez mais um sintoma de uma sociedade agressiva aos direitos humanos. E são principalmente os governos a cometerem primeiro a arbitrariedade e a tentação de interferência na vida alheia. Facilmente se detecta hoje uma profícua sociedade da vigilância que, em nome da segurança, só pretende interferir na confiança social, ou liberdade, com dividendos e objectivos políticos, como demonstra o caso do governo inglês.