Mais de um mês depois de dois homens armados terem atacado a redação do semanário satírico francês Charlie Hebdo em Paris, matando 12 pessoas, será lançada a nova edição do jornal, na quarta-feira, agora que o jornal retomou a sua actividade. O Charlie Hebdo editou por uma "questão de sobrevivência" na semana depois do tiroteio, que ocorreu em 7 de Janeiro. Desde então, porém, o semanário tem estado ausente das bancas.

"Nós precisávamos de uma pausa, um descanso. Havia quem precisasse de trabalhar imediatamente, como eu, e aqueles que queriam esperar mais tempo", diz Gérard Biard, novo editor-chefe da publicação. "Então, chegámos a um acordo e concordámos que 25 de Fevereiro seria o dia para recomeçar, numa base semanal".

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Se a capa da próxima edição do Charlie Hebdo faz alguma afirmação, é que será "business as usual". Apresenta uma ilustração de uma série de figuras políticas e religiosas, incluindo o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, um jihadista e o papa, como uma matilha de cães raivosos sobre a manchete: "Aqui vamos nós outra vez!".

O semanário satírico tem uma longa história de controvérsia, satirizando figuras políticas e religiosas de todos os sectores. Os dois homens que atacaram o semanário, os irmãos Saïd e Chérif Kouachi, afirmaram que o massacre serviu para vingar diversas caricaturas do profeta Maomé. Muitos muçulmanos consideram qualquer representação do profeta como blasfémia. Num acto de desafio, a capa da edição "questão de sobrevivência" de Charle Hebdo caracterizou Maomé empunhando um cartaz de "Je Suis Charlie", sob o título "Tudo é perdoado".

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Recorde-se que "Je Suis Charlie" foi o slogan adoptado mundialmente para expressar solidariedade com as vítimas do massacre.

Cerca de 8 milhões de cópias foram impressas da edição de 14 de Janeiro, um número impressionante para uma publicação que vinha a lutar para sobreviver com uma tiragem de apenas 60.000 antes do ataque. No entanto, mais uma vez, a última edição do jornal teve o condão de enfurecer multidões, que se manifestaram em protestos em diversos países muçulmanos.

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