As autoridades chinesas querem impedir os seus cidadãos de usar um tipo especial de papel higiénico depois de recolherem, no sul da China, milhares de rolos e pacotes de lenços, que traziam o rosto do chefe-executivo de Hong Kong, Leung Chun-ying. Estes artigos de casa de banho foram criados para serem vendidos num mercado de Hong Kong durante as próximas celebrações do Ano Novo Lunar, segundo a Associated Press. O custo para as mercadorias apreendidas é estimada em pouco menos de 13 mil dólares. As autoridades chinesas não deram uma razão para apreenderem a mercadoria, mas estima-se que seja uma agenda de cosmetica politica que as autoridades levam a cabo para tentarem estabilizar uma sociedade cada vez mais crítica e contestatária.


"Eu acho que (as autoridades chinesas) não gostam que as pessoas critiquem funcionários do governo, especialmente dos altos funcionários do governo. Eles tornaram-se mais cautelosos nas críticas acerca deles", disse à Associated Press Lo Kin-hei, vice-presidente do Partido Democrático de Hong Kong. Lo disse que o papel higiénico "Chefe do Executivo de Hong Kong" foi um enorme sucesso na celebração do ano passado e o fornecimento dobrou este ano, em antecipação da procura do mercado. A maioria do papel higiénico surge com imagens de Leung, onde ele é caricaturado com uma foice e martelo comunista.

Leung é uma figura controversa na "Região Administrativa Especial" e foi um ponto focal para os manifestantes que participaram das grandes manifestações pró-democracia no ano passado. Leung foi visto por muitos dos manifestantes como um fantoche da politica centralista do Partido Comunista em Pequim que não representa os interesses de Hong Kong.

Enquanto a China se expande na diplomacia e na economia internacional através do BRICS, é confrontada simultaneamente com convulsões internas de uma sociedade cada vez mais informada e crítica à organização centralista do comunismo chinês. Lo Kin-hei expressou a preocupação de que a apreensão de papel higiénico indica que China está a reprimir a liberdade de expressão em Hong Kong, algo que é garantido pela Constituição da região.