A região de Jilin, no Nordeste da República Popular da China (RPC), tem-se desenvolvido a uma ritmo bastante apreciável desde o início do século. Esta Sexta-feira as autoridades regionais, baseadas na cidade de Hunchun, apresentaram publicamente um projeto com vista a desenvolver ainda mais a economia regional. Segundo a agência noticiosa chinesa Xinhua o plano implicará a criação de uma zona turística internacional, que não irá requerer a apresentação de vistos e que estará aberta a visitantes de todo o mundo. Esta zona franca incluirá ainda uma área de 10 quilómetros quadrados que englobará partes do território russo e norte-coreano, uma vez que os três países se juntam nesta região.

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As três nações também irão investir na infraestrutura deste projeto, partilhando assim os gastos e futuros ganhos.

A iniciativa já teria sido criada em 2013, mas o planeamento e as autorizações, que implicaram reuniões políticas de alto nível, teriam arrastado a apresentação da mesma até esta semana. As nações implicadas esperam que esta zona turística possa ainda ajudar ao desenvolvimento económico e estrutural, não apenas da área diretamente envolvida, mas também das províncias circundantes. Planeia-se, a longo prazo, a criação de estradas, pontes, caminhos de ferro e aeroportos. Por sua vez, Pyongyang espera que o seu envolvimento possa trazer uma nova fonte de retorno económico, uma vez que o isolado estado norte-coreano tem atualmente poucas opções nessa área.

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Creio não ser coincidência que o anúncio, apesar de ter passado debaixo do radar das maiores agências noticiosas, surja nesta altura. A crise ucraniana e as más relações de Pequim para com os seus vizinhos levaram a uma aproximação de diversos países do antigo Bloco Oriental que possuem interesses comuns. Moscovo assinou esta semana um acordo com vista a dar um fim à Guerra de Donbass, mas ainda existe no ar um ceticismo em relação ao mesmo, e no entretanto reatou relações com Pequim, procurando no grande estado asiático um comprador para os seus combustíveis em caso de um aumento das sanções ocidentais. Mesmo a RPC procura aliados fortes que possam validar as suas ambições territoriais no Pacífico, e assim sendo a Rússia torna-se num parceiro natural. Já a Coreia do Norte precisa de manter os seus poucos aliados, sobretudo com os recentes sinais de instabilidade nas suas elites governativas.

Tendo em conta estes fatores, creio ser seguro admitir que outros projetos conjuntos entre estas três nações deverão surgir no futuro próximo.