Há cerca de um mês atrás as autoridades de diversos países do sudeste africano, como Moçambique, Malawi e Zimbabwe, haviam pedido ajuda à comunidade internacional após as devastadoras cheias que caíram sobre a região, causando, na altura, centenas de mortos e desaparecidos. Os números oficiais falam de mais de 100 mortos e quase 200 desaparecidos, assim como 336.000 deslocados, afetando no total mais de um milhão de pessoas. Foi uma catástrofe em grande escala, que, infelizmente, foi quase esquecida pelos média internacionais, mera nota de fundo contra outros problemas, grandes e pequenos.

Entretanto a chuva quase não parou, com a esperança trazida por acalmias pontuais a ser rebatida pela possibilidade de que as quase 20.000 pessoas isoladas do resto no mundo na região de Nsaje, no Malawi, possam assim permanecer durante as próximas semanas, trazendo ao de cima receios de epidemias e fome.

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A situação no terreno é crítica, mas pouca ajuda internacional foi trazida para a região, tendo-se reunido apenas um terço dos fundos necessários (segundo a UNICEF menos de 4 milhões de euros de um total de 9 milhões estimados para fornecer "ajuda imediata às populações", e pouco mais de 25 milhões de um total de 80 milhões para ajudas mais amplas, incluindo reconstrução). Amaury Gregoire, líder da missão dos Médicos sem Fronteiras, afirmou que a falta de água limpa e saneamento estava a levar a casos de doenças nos campos de refugiados, e que a situação poderia ainda piorar dramaticamente.

A região é extremamente pobre, e apesar de o Presidente do Malawi, Peter Mutharika, ter pedido ajuda internacional desde o inicio da crise, o facto é que os prognósticos para o futuro não são animadores, tendo os campos agrícolas do Rio Shire, que alimentam o país, sido totalmente destruídos pelas águas.

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Os objetivos económicos estabelecidos para este ano às Nações Unidas também não poderão ser alcançados devido aos estragos.

Não obstante a zonas tropicais serem conhecidas pelos seus inerentes níveis de pluviosidade, as alterações dos padrões climáticos estão a criar situações incomuns, mesmo extremas em algumas regiões. Por exemplo, no Brasil, a região de São Paulo tinha vindo a suportar uma seca tremenda desde o início do ano, mas agora sofreu chuvadas torrenciais, que alagaram a região e já causaram um morto. O choque da súbita mudança entre as duas situações não passa despercebido. Entretanto, os Estados Unidos da América têm sofrido nevões históricos.

Apesar de o reconhecimento do impacto humano no clima pouca ajuda poder dar às vítimas do mesmo, estas chamadas de atenção deveriam incentivar uma mudança de atitudes para com o uso de combustíveis fósseis, antes que a situação piore ainda mais. Entretanto, os habitantes do Malawi tentam sobreviver como podem, à espera da ajuda internacional que tarda a chegar.