Em França, uma reforma foi debatida no parlamento durante mais de duzentas horas. Durante este período, sofreu cerca de mil alterações e foi debatida ponto por ponto pelos deputados. Contudo, quando chegou a hora de ser aprovada, alguns membros do partido do Governo ameaçaram chumbá-la e foi aí que Manuel Valls, primeiro-ministro francês, decidiu que não precisava do apoio parlamentar. Manuel Valls escudou-se na constituição que permite aprovar medidas sem o "sim" do Parlamento, mas a reforma só poderia avançar se o governo não recebesse uma moção de censura nas quarenta e oito horas seguintes.

Foram precisos apenas alguns minutos para que o UMP, partido de Sarkozy, apresentasse a moção.

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Necessitava de duzentos e oitenta e nove votos a favor e apenas teve duzentos e trinta e quatro. A lei aprovada já foi batizada com o nome do Ministro da Economia, Emmanuel Macron, e prevê que os despedimentos coletivos sejam mais fáceis e tenham uma indemnização já estabelecida. Esta lei permite também que as zonas de França com mais turismo tenham o comércio aberto até à meia-noite e todos os domingos; que algumas profissões reguladas sejam liberalizadas e que alguns aeroportos sejam privatizados.

Esta é a forma de o governo Francês "piscar o olho" à Comissão Europeia. Bruxelas admitiu sancionar Paris por não cumprir as metas orçamentais deste ano. Todavia, caso esta reforma fosse aprovada, a Comissão Europeia daria outra oportunidade à França. A lei Macron avança, ainda que sem a aprovação dos deputados, e com a assinatura de François Hollande.

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Recorde-se que, quando era líder da oposição, Hollande, o actual Presidente francês, defendia que aprovar leis sem as levar ao Parlamento era rejeitar a democracia.

Para François du Rugy, do partido Os verdes, deu-se demasiada importância a uma lei que, nas suas palavras, não faz parte das "grandes reformas estruturais". Por outro lado, os socialistas rebeldes optaram por não votar pela moção de censura, apesar de não concordarem com as medidas levadas a cabo por Valls para resolver o problema do desemprego e da desigualdade.