Com a paz de Minsk frágil, na melhor das hipóteses, e com a linguagem da Guerra Fria a reestabelecer-se entre o Ocidente e a Federação Russa, tropas da NATO, especialmente dos Estados Unidos da América, têm-se redistribuído pela Europa de Leste, entre os países que haviam um dia pertencido à União Soviética e são agora protegidos sob a iniciativa da Aliança Atlântica. Entre estas tropas contam-se os homens do 2º Regimento de Cavalaria do Exército americano, estacionados na Estónia, um dos três pequenos países bálticos presos entre a vastidão da Rússia, a Leste, e o enclave de Kaliningrado (também parte do território russo) a Oeste.

Apesar de a Sul terem a Polónia (para onde os EUA recentemente destacaram mais um esquadrão de caça-bombardeiros A-10), ostensivamente anti-russa, e no Mar Báltico, a Norte, estarem os países escandinavos, também eles alinhados com o Bloco Ocidental, os três países do Báltico (para além da Estónia também se incluem a Lituânia e a Letónia), com os seus pequenos exércitos e fracas economias, teriam bons motivos para recear futuras agressões russas.

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Num tal cenário, a Estónia certamente que estaria na linha da frente, não apenas por causa do contacto direto com o gigante eurasiático, mas também devido ao posicionamento da cidade de Narva, logo ao lado do rio do mesmo nome que efetivamente separa ambos os países. Representando a ponta oriental do país, seria o primeiro alvo de qualquer ataque ou interferência. Foi exatamente por esse motivo que no passado dia 24 de fevereiro, uma coluna das tropas americanas estacionadas no país desfilou pela cidade, nas celebrações dos 97 anos da declaração da independência da Estónia, que remonta a 1918. A acompanhá-los estavam também tropas de outros países da NATO: Reino Unido, Holanda, Espanha, Lituânia e Letónia, assim como 1300 militares estónios. O objetivo seria de demonstrar a unidade da Aliança Atlântica face à postura russa.

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Entretanto, a paz na Ucrânia vacila. Suspeitando que um novo ataque rebelde poderia estar para breve, desta feita dirigido à cidade costeira de Mariupol, o governo francês já deu a entender que quaisquer movimentos nesse sentido seriam vistos pela NATO como uma nova linha vermelha e clara violação de tudo o que se esperava atingir em Minsk. Aliás, acredita-se que os líderes ocidentais comecem a assumir quaisquer promessas de Vladimir Putin como vãs, o que nada traz às tentativas de estabilizar a região.

Convém lembrar, contudo, que para Moscovo o crescimento da Aliança Atlântica para Leste é visto desde o início como uma agressão, e uma clara violação das garantias dadas pela NATO em 1993, que prometiam fazer da Europa de Leste uma zona neutra entre a Rússia e o Ocidente. As revoluções coloridas da viragem do século apenas tornaram o Kremlin mais paranóico, levando à invasão da Geórgia e ao estabelecimento da situação como se conhece atualmente.

Por fim, convém ter em conta que quaisquer possibilidades de a Rússia tomar uma postura mais assertiva podem estar a esgotar-se.

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As sanções começam a fazer efeito. Na Crimeia, por exemplo, começam a esgotar-se os alimentos. Mais ainda, a quebra das trocas com Kiev cortou o acesso de Moscovo a elementos importantes da sua indústria militar, baseados na Ucrânia, o que prejudica a manutenção das suas capacidades combativas. O ato final ainda está para acontecer.