Apesar de ter sido a prática humorística a causar já tantas represálias terroristas, os italianos recorreram à ironia para responder a uma ameaça de invasão a Roma feita pelo EI (Estado Islâmico). Através do Twitter, a comunidade online de Itália respondeu com graça à advertência de que Roma seria conquistada pelo grupo terrorista. A situação aconteceu na semana passada. Rita Katz, a líder de uma organização que monitoriza a actividade online jihadista, divulgou tweets de contas associadas ao EI que mostravam fotografias dos militantes a festejar o controlo da cidade de Sirte (pensa-se), na Líbia, com a legenda "Estamos a chegar a Roma".

Esta publicação de Katz foi rapidamente exponenciada por vários jornais italianos que a reproduziram e que estimularam ainda mais receios de uma invasão ao país.

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É de relembrar que a organização islâmica já tomou controlo de uma cidade na Líbia, que fica apenas a cerca de 350 quilómetros de Itália: o que levantou receios de que a chegada à Europa não tarda muito. Depois da ameaça via Twitter sobre a proximidade à capital italiana, a comunidade online não se deixou ficar, ridicularizando o tweet com respostas inspiradas no estado não muito feliz em que se encontra o país.

Aqui ficam algumas investidas e réplicas ao EI, que não só mostram como o humor ainda é uma perspicaz forma de lidar com as mais diversas conjunturas, como revelam também (num tom mais infeliz) as frustrações dos italianos relativamente à situação dos transportes e do trânsito ou à forma económica menos afortunada em que o país se encontra. "Só uma dica: não venham de comboio, chega sempre atrasado", "Amanhã há greve de transportes.

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Boa sorte", "Vêm demasiado tarde, a Itália já foi destruída pelos seus governos", são apenas alguns exemplos. Outros viraram-se para a gastronomia italiana, que envolve muito porco (carne que a lei islâmica não permite consumir) com piadas como "Estamos à vossa espera com presunto". Num tom mais delicado, outras pessoas apenas sugeriram restaurantes onde os militantes poderiam comer.

A situação é, apesar disso, séria: o EI já ameaçou Roma e o Vaticano no passado e a proximidade da Líbia à Europa pede uma acção por parte do governo italiano. Contudo, a população tem e deve ter sempre uma palavra a dizer: neste caso, para o grupo terrorista que mais adequou, não os seus ideais, mas a sua forma de propaganda aos tempos tecnológicos actuais, a atitude foi clara. Com ironia se combate, não a invasão propriamente dita, mas pelo menos o clima de medo. #Terrorismo