Segundo fontes das forças armadas sul-coreanas, as tropas do regime de Pyonyang dispararam este domingo 5 mísseis de curto alcance sobre o Mar do Japão, que acabaram por se despenhar no mar após um voo de 120km. Na semana passada a Coreia do Norte havia também testado um míssil anti-navio, provavelmente um modelo novo, o que na altura levantou alguns alarmas entre as autoridades de Seul. Provocantes como possam parecer, estes testes não são proibidos pelas restrições colocadas à Coreia do Norte. O evento foi parte das celebrações da criação do Exército Popular da Coreia, estabelecido aquando da divisão da península do Coreia entre Norte e Sul, em 1948, iniciando assim a tensão que levaria à guerra que, apesar de oficialmente acabada em 1953, nunca obteve realmente um acordo de paz definitivo, pelo que se poderá afirmar que a mesma ainda está em curso.

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Esta demonstração de armamento, como usualmente sucede nesta época do ano, tem ainda outro objetivo.

Os exercícios conjuntos entre as forças armadas sul-coreanas e as suas contrapartes dos Estados Unidos, batizados de Foal Eagle, costumam ocorrer no início da Primavera de cada ano, entre meados de Fevereiro e finais de Março, sendo de grande escala e demonstrando as capacidades humanas e materiais de ambos os países. O governo de Pyonyang tem constantemente acusado tais exercícios de serem uma preparação para a invasão da Coreia do Norte. Neste contexto, torna-se usual que as forças do regime de Kim Il-Sung se tornem mais agressivas nesta altura, numa tentativa de equilibrar o esforço propagandista. Assim sendo, estes testes e declarações bombásticas tornaram-se usuais nos últimos anos.

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Convém ainda assim lembrar que Pyongyang tem feito, recentemente, esforços numa tentativa de reformar as suas forças armadas e diminuir um pouco a sua atual inferioridade material. Informações anteriores haviam falado de um incremento considerável do arsenal químico e biológico deste país, falando-se de 5000 toneladas de material. A ser verdade, isto representaria um impressionante investimento em armas de destruição em massa. Convém ter em conta, contudo, o quão difícil é, de facto, utilizar estas armas. Mortíferas como sejam, a sua distribuição, uso e fabricação de ogivas implicam um esforço considerável que não prima por ser de manutenção fácil após o armazenamento. Ainda assim, é um perigo real que se junta às suspeitas de que a Coreia do Norte possua uma bomba atómica, apesar de informações recentes desacreditarem essas afirmações, acrescentando que Pyongyang teria utilizado as suas últimas reservas nucleares para impressionar os seus inimigos há dois anos atrás. Outras informações também falam da oferta de caças SU-35 russos, aeronaves que se encontram entre as melhores do mundo no seu tipo, mas que segundo estes dados seriam apenas utilizadas em pequenos números, sendo a maior parte da Força Aérea Popular ainda composta por modelos antiquados.

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Onde a Coreia do Norte possui superioridade é no número, com mais de um milhão de tropas ativas, às quase se somam mais de 6 milhões de paramilitares e reservas, número que deverá aumentar ainda mais com o recentemente anunciado serviço militar obrigatório para mulheres. Nada mal para um país de 25 milhões de habitantes.