Foram contados 13 mortos e mais de 20 feridos numa explosão suicida num mercado nigeriano, despoletada por uma menina de 7 anos. O governo nigeriano atribuiu o atentado ao Boko Haram, grupo islamita sectário que tenta impor um estado islâmico na Nigéria. A explosão deu-se numa zona comercial, e terá um forte cunho político por estar certamente associada à campanha presidencial e legislativa - as eleições estão marcadas para 28 de Março.

A ameaça do Boko Haram na Nigéria e nos países vizinhos (Camarões e Chade) já levou a comunidade internacional a manifestar-se, através do ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Laurent Fabius, que no fim-de-semana passada aconselhou fortemente a Nigéria a combater o Boko Haram: "é necessário que a Nigéria tenha um compromisso total para combater o Boko Haram", comentou Fabius. O ministro esteve de visita à Nigéria, Camarões e Chade no passado fim de semana para estabelecer uma plataforma militar cooperante entre estes países, e com a ajuda da França. O ministro prometeu que a França apoiará estes países em informações e coordenação para neutralizar a acção do Boko Haram em África.

O governo francês tem intervido na situação política que envolve o Boko Haram, por ser reconhecido que há um fracasso nigeriano face á escalada contínua da actividade do grupo islâmico. E a responsabilidade desse fracasso tem sido atribuída ao actual presidente Goodluck Jonathan, que rivaliza com Muhammadu Buhari numa reeleição que se supõe difícil. Precisamente porque o presidente não conseguiu assegurar estabilidade militar para 14 de Fevereiro, a data em que as eleições se deveriam ter realizado. A votação foi adiada para o final do mês de Março.

Depois do atentado, o presidente Jonathan avisou os terroristas que a Nigéria tinha reforçado a sua capacidade de efectivos e de armamento e que a derrota do grupo islâmico estaria iminente, enquanto admitiu aos jornalistas que na sua eleição em 2011 tinha subestimado os islamitas. "Provavelmente o nosso executivo subestimou a capacidade do Boko Haram" admitiu Jonathan a jornalistas do This Day.  O atentado à bomba com uma criança no fim de semana passado foi o segundo neste local. O primeiro tinha acontecido há pouco mais de um mês, em que um homem e um adolescente tinham usado o mesmo absurdo processo homem-bomba; mataram 6 pessoas e feriram quase 40.

Guardas de segurança e vigilantes do mercado confirmaram o ocorrido e descreveram-no: " Estávamos alerta por causa dos ataques anteriores e estávamos a patrulhar e a revistar as pessoas. as mulheres não podiam entrar, por causa dos ataques. E tínhamos visto a menina que não deixámos entrar, porque pela idade dela... não tem nada a ver com o mercado (onde se vendem e arranjam telefones e aparelhos electrónicos); mas vimos que ela furou a vedação de cordas e a bomba explodiu logo", disseram.

Há mais de 1 milhão de desalojados e 13 000 mortos desde que os islâmicos Boko Haram iniciaram as hostilidades. O Governo nigeriano tem anunciado progressos na neutralização do grupo islâmico, e anunciaram a conquista de um arsenal de armas na cidade de Baga, que os guerrilheiros islâmicos abandonaram, anunciaram fontes oficiais do governo, mas sem confirmação de fonte independente.