Um estudo sociológico mostra que em Inglaterra o número de crianças menores de 5 anos, criadas como muçulmanas, aumentou 80 por cento numa década, e três quartos dos muçulmanos dizem-se "apenas ingleses". O número de crianças que crescem identificadas como muçulmanas no Reino Unido quase duplicou numa década. Uma em cada 12 crianças em idade escolar na Inglaterra e no País de Gales são agora oficialmente classificadas como muçulmanas, depois de uma década que viu o número de seguidores do Islão aumentar pouco mais de 1,1 milhões, de acordo com este estudo sociológico-demográfico. O relatório, apresentado ao Parlamento Inglês conclui que os muçulmanos podem desempenhar um papel decisivo nas eleições gerais que se aproximam, dadas as novas composições sociais que o estudo demonstra.

Embora a imigração tenha impulsionado o crescimento da população muçulmana, é o perfil etário dramaticamente mais jovem da população muçulmana que poderá ter um maior impacto no futuro. Numa altura em que a população em geral está a envelhecer rapidamente, metade dos muçulmanos britânicos têm menos de 25 anos e um terço são menores de 15 anos. Ao todo, são 2,7 milhões de pessoas que vivem na Inglaterra e no País de Gales que se descrevem como muçulmanos. O que está acima dos apenas 1,6 milhões em 2001 - um salto de 75 por cento.

Entre as crianças menores de 5 anos a taxa de crescimento foi superior a 80 por cento. Surpreendentemente, apesar de pouco mais da metade dos muçulmanos que vivem na Grã-Bretanha terem nascido no estrangeiro, quase três quartos identificaram-se exclusivamente como britânicos no inquérito. Os muçulmanos têm ainda cerca de duas vezes mais hipóteses de estarem desempregados ou sem-abrigo; e quase um terço deles sabe pouco ou nenhum Inglês - realidade acentuada nos mais idosos e nos recém-chegados. #Religião

O professor David Voas, director do Instituto de Pesquisa Social e Económica da Universidade de Essex, referiu: "Em termos de expansão de minorias étnico-religiosas provavelmente não tem precedentes. Mesmo que a imigração terminasse amanhã é claro que até metade deste século 10 por cento da população inglesa será de descendência muçulmana." O investigador referiu que este cenário poderá influenciar decisões políticas e atitudes sociais ao nível local e nacional. "Terá no início uma influência relativamente pequena, mas é possível imaginar um cenário em que os muçulmanos possam vir a pesar na balança". E acrescentou: "É também possível que haja um impacto na política externa - que significará maior cepticismo no envolvimento em guerras no exterior, quando o adversário for muçulmano."


Para o investigador, é ainda perceptível que, enquanto os muçulmanos mais jovens se identificam mais com a Grã-Bretanha do que a geração dos seus pais, muitos deles também se voltaram simultaneamente para a sua fé, por razões de identidade. O Prof. Anthony Heath, sociólogo na Universidade de Oxford, comentou: "Não devemos ser alarmistas, a maioria dos muçulmanos mais jovens estão a aproveitar as oportunidades do sistema educativo britânico. São em números bastante elevados aqueles que vão para a universidade, e estamos a encontrar maiores níveis de igualdade de género. "Mas não deve haver rodeios nas simpatias pelo Isis e/ou movimentos extremistas, apesar de serem apenas uma pequena minoria, mas muito preocupante. Isto não nos deve distrair do facto que a maioria está a mostrar maior integração e maior compromisso com a Grã-Bretanha."