Os cidadãos espanhóis preparam-se para mudar um mapa político que se manteve quase inalterável desde os anos 80 do século passado. Podemos e Ciudadanos afirmam-se como alternativas reais enquanto os "tradicionais" PP e PSOE se afastam dos níveis de apoio que tiveram nas eleições de 2011. No entanto, o crescente protagonismo do Podemos tem sido acompanhado por uma ligeira descida de popularidade, o que não impede o partido de ser, neste momento, o preferido pela maior parte de nuestros hermanos. Este é o estado da opinião pública reflectido numa sondagem publicada este domingo pelo El País, correspondente ao mês de Fevereiro, e que mantém o Podemos no primeiro lugar nas intenções de voto, seguido de PP e PSOE, por esta ordem.

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Quando o estudo do Clima Social de Espanha se realizou, nos dias 3 e 4 de Fevereiro, já mais de 150 mil pessoas haviam participado na demonstração de força convocada pelo Podemos nas Portas do Sol de Madrid. Pablo Iglesias não concretizou as suas propostas - e essa falta de clarificação, que tem sido criticada pelos demais partidos, também começa a fazer mossa entre os cidadãos - e preferiu falar de sonhos convertíveis em realidade, como sucedeu na Grécia. Este país é um exemplo para o Podemos, ainda que as restantes forças políticas estejam apreensivas em relação ao comportamento do governo helénico e à resposta da União Europeia.

A formação de Iglesias tem já muitos apoiantes incondicionais mas, ao mesmo tempo, é, atrás do PP, aquela em mais cidadãos garantem que nunca votariam.

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A sondagem reflecte uma intenção de voto de 27,7% para o Podemos, menos cinco décimas do que no mês anterior. O PP subiu ligeiramente em relação ao Janeiro, enquanto o PSOE obteria 18,3% dos votos, uma queda de cinco pontos, comparando com o mais recente exercício.

Em linha ascendente está o Ciudadanos, com 12,2 por cento, mais quatro pontos que em Janeiro. Este partido começa a ser valorizado por si próprio e não tanto por rejeição aos restantes. Cerca de 47% dos que dizem que votarão em Albert Rivera justificam-no sobretudo por considerarem que é o que "mais se aproxima do que pensam e acreditam". Os que o apoiam "pela decepção e o desencanto com os outros partidos" são apenas 29 por cento.

O mesmo não sucede com o Podemos, cujo principal motivo de voto (45 por cento) é, precisamente, essa desilusão dos cidadãos com as restantes forças políticas. Estes dados são particularmente importantes para PP e PSOE, que ainda vão a tempo de alterar as suas estratégias e tentar mudar esta visão dos eleitores em relação aos seus partidos.

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Segundo esta sondagem, Podemos e Ciudadanos têm mais votos (39,9 por cento) do que PP e PSOE juntos (39,2).

Muitos culpam os dois principais partidos pelos males de Espanha - 33 por cento responsabiliza-os por igual - mas Izquierda Unida (IU) e UPyD também são afectados e as suas expectativas de crescimento estão bloqueadas, a favor de Podemos e Ciudadanos. IU e UPyD têm os mesmos níveis de apoio de 2011, ainda que a IU tenha subido mais de um ponto em relação ao barómetro anterior.

O líder do Ciudadanos, Albert Rivera, é o único visto com opinião positiva pelos espanhóis, enquanto Pablo Iglesias é o mais conhecido (99 por cento dos cidadãos conhecem-no), apenas superado pelo Rei Felipe VI (100 por cento). A ânsia por mudança em Espanha fica clara quando se constata que 90 por cento dos eleitores acreditam que os partidos só pensam no que lhes interessa.