Quando se assinou o acordo de 13 pontos para a paz na Ucrânia, na semana passada, sabia-se que o mesmo seria frágil e que muita coisa poderia ainda correr mal, sobretudo com alguns dos lados envolvidos a repudiarem partes do mesmo. As armas deveriam calar-se na madrugada do último Domingo, mas os combates pela cidade de Debaltseve, a Nordeste de Donetsk, prosseguem, com crescente selvajaria. A cidade forma uma bolsa no centro dos territórios ocupados pelos rebeldes, e acredita-se que as armas enviadas para estes por Putin durante a assinatura do acordo de paz seriam para o derradeiro ataque nesta região, de modo a unificar os dois territórios ocupados pelos rebeldes.

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Este seria o derradeira ataque que se temia na altura e que se veio a revelar verdadeiro. Com a luta a tornar-se desesperada, teme-se que quaisquer planos de paz possam colapsar totalmente, trazendo ao de cima as sinistras palavras proferidas por Hollande no início do mês.

Com o ataque rebelde, crê-se agora que 8000 soldados ucranianos estejam cercados em Debaltseve, com relatos de que uma única coluna conseguiu escapar ao envolvimento antes que este fechasse a única estrada que une a cidade aos territórios nas mãos de Kiev. Com os campos em redor cobertos de neve e as zonas urbanas sob fogo de artilharia, a moral e a capacidade combativa das tropas governamentais estariam a desfazer-se rapidamente e 300 homens ter-se-ão rendido ao mesmo tempo numa dada ocasião.

Segundo as autoridades ucranianas, combates de rua teriam explodido nesta Terça-feira, e tudo indica que, dada a inferioridade em material e treino, o combate pelo Leste da Ucrânia estaria já perdido para Kiev, forçando Petro Poroshenko a recorrer aos meios diplomáticos para desfazer a crise.

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No entanto, as tropas ainda no terreno, fora da bolsa, não iriam retirar a sua artilharia, o que teria sido a acordado na semana passada, até que os rebeldes parem de atacar e façam o mesmo.

A continuação da guerra também força as mãos dos líderes europeus, que terão agora de decidir como pressionar Moscovo. A ideia de novas sanções foi apresentada, mas será improvável que sejam tomadas decisões até ao início do próximo mês. Entretanto Putin avança com as suas próprias iniciativas. Um novo acordo de venda de gás natural à China e a aproximação aos seus aliados na Europa de Leste poderão diminuir os problemas económicos, mas o impacto das anteriores sanções faz-se sentir. As populações da Crimeia são agora obrigadas a lidar com uma profunda crise económica, quase um ano após a anexação.

Todos este elementos tornam o futuro próximo algo nebuloso. Cruzam-se, contudo, com curiosas declarações da Ministra da Defesa alemã, Ursula von der Leyer, que afirmou que o país se estaria a preparar para um longo confronto com a Rússia, cujo plano de desestabilizar a Europa de Leste seria já antigo e não desapareceria no futuro previsível.

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A Europa teria de se preparar para uma mudança da doutrina militar. Entretanto, os Estados Unidos continuam a enviar tropas para a Europa, incluindo jatos de ataque A-10, estacionados na Polónia.

No fundo tudo parece indicar que os receios de uma nova Guerra Fria não seriam, de todo, infundados.