O encontro entre Vladimir Putin, Petro Poroshenko, François Hollande e Angela Merkel em Minsk, feito para alcançar uma resolução para a Guerra de Donbass, originou uma discussão que se arrastou por 16 horas, arrastando-se desde Terça-feira e terminando apenas esta madrugada. Do encontro saiu um acordo que poderá, finalmente levar à paz na Ucrânia, planeando-se que as armas se calem este Domingo, dia 15. No entanto, outras movimentações se deram nos bastidores, parecendo indicar que haverá outros planos na agenda dos atores envolvidos. Os rebeldes pró-russos, que estão neste momento a avançar pelo Leste da Ucrânia, parecem não concordar com os termos do novo acordo de Minsk e rejeitaram-no pouco depois da sua assinatura, o que apenas reforça as palavras da Chanceler Merkel, quando esta falou acerca da sua fragilidade, mais ou menos na mesma altura.

Enquanto o debate se arrastava em Minsk, Moscovo, aparentemente já sem fazer grandes esforços para esconder o seu apoio aos rebeldes ucranianos, que sempre negou, terá enviado para os mesmos 50 carros de combate e 40 plataformas de lançamento de mísseis.

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O apoio material da Rússia aos rebeldes foi um ponto de acusação por parte de Bloco Ocidental praticamente desde o início do conflito. Aliás, certas fontes defendem que Moscovo teria enviado tropas para combater ao lado dos guerrilheiros. A verdade contudo, é que este fluxo constante de equipamento moderno permitiu a estes últimos obter o que na gíria militar se designa como superioridade material, isto é, quando o equipamento apresentado por um dos lados é superior ao que o outro traz para o combate. Numa situação como a da Ucrânia, em que os combates são em escala relativamente pequena, esta superioridade revela-se decisiva.

A NATO, sobretudo os Estados Unidos da América, já haviam considerado enviar armas para Kiev, no seguimento de diversos pedidos do novo governo ucraniano nesse sentido.

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No entanto as contra-ameaças russas e a possibilidade de se levar a uma escalada do conflito, sobretudo na arena internacional, inviabilizaram essa proposta.

No contexto do acordo agora assinado, que se define pelas linhas de demarcação de 19 de Setembro do ano passado, cedendo aos rebeldes um território muito mais vasto do que aquele que eles controlam de momento, este novo fluxo de armas poderá indicar a perspetiva de uma nova ofensiva rebelde nos próximos dias, de modo a transformar as linhas do acordo numa realidade no terreno. Entretanto, e desde que o conflito se iniciou há quase um ano, já morreram quase 5500 pessoas.

Ficará, no entanto, a dúvida em relação ao futuro. Se o acordo realmente vingar, Kiev terá cedido ainda mais território à Rússia, depois da Crimeia, algo que o novo governo tinha dito expressamente que não faria. As repercussões políticas ainda estão para se ver. Numa perspetiva mais histórica, a cedência de território de um país soberano a uma nação expansionista reverbera com comparações feitas entre Putin e os grandes tiranos do século XX, aos quais as grandes democracias da época foram cedendo terreno, até que o confronto se tornou inevitável.

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De um modo mais imediato, contudo, o respeitar deste acordo iria trazer mais uma vitória para as mãos do Presidente russo, sobretudo se isso abrir caminho ao levantamento das sanções.