Começa hoje a primeira reunião do Eurogrupo onde a Grécia vai apresentar oficialmente a sua proposta de alívio da austeridade. Das ideias avulsas que Tsipras e Varoufakis foram deixando nestes dias, ficaram as ideias fortes de cortar com a austeridade, pagar a dívida - indexando-a ao crescimento económico - e concordando que 70% do memorando da Troika para a Grécia está certo e faz sentido. Mas não se viram ainda grandes sinais de cedência por parte da Alemanha, o principal financiador europeu. O Eurogrupo é a reunião de mensal de ministros das Finanças (e da Economia) dos estados da zona euro, com o presidente do BCE, o presidente da Comissão Europeia e o comissário europeu de assuntos económicos e monetários.


A estratégia de Tsipras e Varoufakis foi clara: racionalidade e negociação. Passado o impacto dos dois primeiros dias, o périplo que levou os gregos pela Europa incluiu sempre a necessidade de pagar a dívida aos países que ajudaram a Grécia, e a vontade de permanecer na zona euro. Ao mesmo tempo, o respeito pela soberania da Grécia, a necessidade urgente de alívio da austeridade (com medidas já implementadas, como o aumento do salário mínimo) e, em jeito de tour de force, uma possibilidade de pedir auxílio a Estados Unidos, Rússia ou China (sem que estes países tenham comentado essa possibilidade.)


Do lado europeu houve vários sinais de reconhecimento diplomático do Syriza enquanto interlocutor real. Da França veio o apelo ao trabalho em conjunto, e da Áustria veio mesmo um apoio declarado. Discute-se, de forma não oficial, a possibilidade de os gregos trocarem dívida a juros mais altos por nova dívida a juros mais baixos. Todavia, nem do BCE nem da Alemanha veio até agora algum sinal de flexibilidade - em especial da parte de Wolfgang Schäuble, ministro das Finanças, que usou termos contundentes na sua recusa em alterar quaisquer condições estabelecidas. Schäuble e Varoufakis já reuniram, tendo o resultado sido que "concordam em discordar" do caminho a seguir. Em todo o caso, para o Syriza, a Grécia e a zona euro, hoje é o primeiro dia do resto das suas vidas.