Os líderes ucranianos e russos aceitaram um cessar-fogo no estado do leste europeu depois de quase 16 horas de tensas negociações na Bielorrússia. Mas os analistas estão cautelosos, lembrando o último cessar-fogo (Setembro, 2014), que rapidamente se desmoronou porque ambos os lados tentaram conquistar mais território. Os líderes da França, Alemanha, Ucrânia e Rússia anunciaram que um cessar-fogo começaria em 15 de Fevereiro, com o presidente francês, François Hollande, a afirmar a repórteres que o acordo traria "alívio para a Europa".

Apesar de pontos de convergência ainda se mantêm dúvidas e negociações acerca de pontos fulcrais. Os pontos acordados são: Cessar-fogo a implementar em 15 de Fevereiro; Armamento pesado retirado; Prisioneiros libertado. As negociações ainda em curso são: Autonomia rebelde nas regiões orientais; Estado de Debaltseve; Fronteiras internacionais retornam para a Ucrânia dentro de um ano.

O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou que o cessar-fogo começaria a 15 de Fevereiro, bem como as disposições legais em que a Rússia assegura o controlo nas fronteiras, questões humanitárias e a condição especial para as regiões rebeldes. As reivindicações de Putin sobre o território controlado pelos rebeldes foram refutadas pelo líder ucraniano Petro Petroshenko, que negou haver qualquer acordo sobre a autonomia na parte oriental do país. Comentando a uma emissora de TV da Rússia depois Putin admitiu: "Não foi a melhor noite para mim, mas é um bom dia".


Outra discordância foi sobre o estado Debaltseve, nordeste da Donetsk, que é um entroncamento ferroviário chave para o lado rebelde. Esta cidade tem sido um ponto de inflamação dos combates nas últimas semanas, com as forças rebeldes pró-russas a afirmarem que os defensores ucranianos da cidade estão cercados e à espera de se renderem. Kiev contesta. "Foram-nos apresentadas várias condições inaceitáveis de retirada e entrega", disse Poroshenko a repórteres depois da reunião. "Nós não concordamos com ultimatos" e declarou com firmeza que "o cessar-fogo que é anunciado é incondicional".


Apesar das divergências, os dois líderes conseguiram criar um acordo para retirar armamento pesado nas próximas duas semanas. Isso deve trazer alívio para os civis que estão desesperadamente tentando sobreviver nas regiões assoladas por conflitos. Na semana passada, dados das Nações Unidas apresentaram o número de vítimas civis, entre 31 de Janeiro e 5 de Fevereiro, que supera os 200. Mas são tragicamente mais de 5.400 pessoas que foram mortas desde que o conflito surgiu no ano passado.


A BBC também informou que todos os prisioneiros serão libertados. Poroshenko anunciou ainda que a Ucrânia irá restabelecer o controlo de fronteiras internacionais até ao final do ano. Situação confirmada pelo presidente Hollande, embora não seja claro como esse controlo será feito em áreas controladas pelos rebeldes. A esperança para um cessar-fogo continua frágil, porém a chanceler alemã Angela Merkel refere-se a este acordo como "um vislumbre de esperança". O acordo surge quase em simultâneo com o anúncio de um acordo financeiro com o FMI de um empréstimo de 17,5 biliões para estabilizar a economia e a sociedade ucraniana.