David Cameron anunciou que o Reino Unido vai enviar uma equipa de assessores e formadores militares para apoio às tropas de Poroshenko. O primeiro-ministro britânico anunciou ainda a deputados no Parlamento que, à semelhança dos EUA, defende medidas e sanções mais duras a Moscovo se não houver confiança no tratado de cessar-fogo assinado há um mês. Em detalhe o Reino Unido vai enviar, sob autorização do Ministério da Defesa, 75 pessoas repartidas em 4 valências: inteligência, logística, medicina e treino de infantaria.

Cameron tem sido visto como o grande excluído do processo de negociação internacional para a paz na Ucrânia, por isso esta medida pode ser um reajustar do enublado protagonismo britânico. O pessoal a exportar poderá permanecer entre 2 a seis meses na Ucrânia mediante as necessidades de formação do governo de Poroshenko.

Por seu lado, o ex-embaixador da Ucrânia no Canadá e hoje Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Vadim Pristayko, disse ao canadiano CBC que a "Ucrânia está preparada para uma Guerra Total" e que "não tem mais medo de uma guerra nuclear". Em entrevista à CBC Radio, Prystaiko afirma que o acordo de paz amparado pela Alemanha e pela França não está a resultar, e está agora no Canadá a pedir apoio armado para a Ucrânia. "Temos a nossa linha férrea totalmente devastada e destruída" acrescenta, referindo também ao repórter da CBC que os rebeldes pró-Rússia dominam Debatselve, quando o acordo de Minsk previa que abandonassem o entreposto ferroviário. Mas como afirmou o analista político, Dr. Craig Roberts, os ucranianos pró-Rússia dificilmente iriam aceitar abandonar um ponto ferroviário estratégico como é Debatselve. Prystaiko disse ainda a Evan Solomon, o entrevistador da CBC, que esteve presente na reunião com Putin de onde surgiu o acordo e comentou à CBC News: "pessoalmente não gosto dele, não parece ser de confiança".

No mesmo sentido do reforço da tensão militar na região, o Presidente da Lituânia, preocupado com a actividade militar na Ucrânia, anunciou o regresso ao serviço militar obrigatório. Uma reunião de líderes militares lituanos concordou e estabeleceu que o serviço será para homens com as idades entre 19 a 27 e durante 9 meses. A medida será aplicada durante cinco anos e permitirá incorporar aproximadamente 3.000 efectivos na guarda militar lituana. O presidente Dalia Grybauskaite disse ainda na terça-feira que a Lituânia enfrentava uma "ameaça real" com esta falta de soldados e dada a situação na vizinhança, citou a Associated Press.