As Nações Unidas estão a investigar relatos que referem que o Estado Islâmico (ISIS) está a recolher órgãos de civis mortos e a traficá-los como forma de financiamento. O embaixador iraquiano na ONU, Mohamed Ali al-Hakim, apelou ao Conselho de Segurança que investigasse a morte de 12 médicos em Mossul, no Iraque, dizendo que estes foram mortos depois de se terem recusado a retirar órgãos dos corpos. "Alguns dos corpos que encontrámos foram mutilados… isso significa que faltam algumas partes", afirmou aos repórteres, descrevendo que havia cortes nos locais onde deveriam estar os rins. "Isto é claramente maior do que pensamos", concluiu.

A pilhagem de corpos para retirar órgãos e tecidos humanos é comum, de acordo com Nancy Scheper-Hughes, directora do Observatório de Órgãos, um projecto da Universidade da Califórnia.

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"O roubo de órgãos durante guerras não é invulgar", declarou à CNN.

Nickolay Mladenov, enviado especial da ONU ao Iraque, garantiu que o assunto vai ser investigado. "Temos conhecimento desses relatos. No entanto, não me quero apressar a confirmar nada antes de os estudarmos com maior detalhe", frisou. Mladenov revelou que os rumores de que o grupo jihadista "usa o tráfico de órgãos humanos como forma de financiamento" circulam há meses. "Não posso falar sobre a extensão do problema até que finalizemos a nossa análise, mas se olharmos para o cenário mais amplo, é muito claro que a brutalidade e as tácticas que o ISIS usa estão a aumentar todos os dias", rematou.

O Departamento de Estado norte-americano disse estar ao corrente destes "comentários bastante perturbadores" sobre o alegado tráfico de órgãos, mas não está em condições de confirmá-los: "Também não temos razão para duvidar deles, dadas as atrocidades semelhantes que têm sido documentadas e crimes hediondos dos quais o ISIS se orgulhou".

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Al-Hakim referiu que existe um mercado na Europa para órgãos roubados e que a organização terrorista tomou o controlo de aeroportos a partir dos quais estes podem ser despachados rapidamente em negócios arranjados por intermediários e compradores. Corpos mutilados têm sido encontrados nas últimas semanas. Falando numa reunião do Conselho de Segurança, o embaixador abordou o que considera ser um genocídio levado a cabo pelo Estado Islâmico no Iraque. "Estes grupos terroristas têm profanado todos os valores humanos. Têm cometido os actos terroristas mais hediondos contra o povo iraquiano".

No mês passado, uma agência noticiosa turca noticiou a abertura de uma escola médica do ISIS no Norte da Síria. "Os cadáveres, depois de desarticulados, pulverizados, processados, liofilizados, etc., estão tão longe de um ser humano que passam a ser apenas mercadorias", descreveu Scheper-Hughes. "A procura de órgãos e tecidos é… insaciável", adiantou. "Rins extraídos de uma pessoa com morte cerebral ou executados com a assistência de alguém treinado na recolha de órgãos são 'os diamantes de sangue' do tráfico ilegal e criminal de órgãos", concluiu.

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Sobre o Estado Islâmico, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse ontem que os Muçulmanos nos Estados Unidos e em todo o mundo têm a responsabilidade de combater a ideia de que grupos terroristas como o ISIS falam por eles. "Não estamos em guerra com o Islão, estamos em guerra com as pessoas que perverteram o Islão. Eles propagam a ideia de que a América e o Ocidente estão em guerra com o Islão; é assim que recrutam, é assim que radicalizam os jovens", esclareceu. #Terrorismo