O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, pediu aos países europeus para mostrar unidade quando se trata de sanções contra a Rússia, rotulando as vozes dissidentes como "inadequadas e irritantes", relatou a revista Der Spiegel. Esta revista alemã anunciou que as declarações do vice-presidente dos EUA, foram feitas numa reunião especial dos líderes das facções do Parlamento Europeu, na sede da UE em Bruxelas. Biden pediu aos países europeus para "ficarem firmes" contra supostas ameaças da Rússia para a unidade da região. "Putin continua a apelar para novos planos de paz com as suas tropas a ocupar território ucraniano e ignora absolutamente todos os acordos que o seu país assinou no passado... inclusive em Minsk", disse Biden, mas não fornece quaisquer detalhes exactos da alegada presença militar da Rússia na região.


"Os críticos da política de sanções contra Moscovo devem estar cientes de que eles também beneficiam do baixo preço actual do petróleo", disse Biden, que considera as queixas feitas por alguns países europeus sobre as pesadas sanções contra a Rússia "inadequadas e irritantes". "Este é o momento em que os EUA e a Europa se devem unir. Fiquem firmes. Não se pode permitir à Rússia redesenhar o mapa da Europa, e isso é exactamente o que estão a fazer." Biden passou ainda a alegação de que "a Rússia continua a aumentar o conflito."


Apesar destas declarações, a única solução para a crise ucraniana continua ser a presença vocal de Moscovo. O chanceler russo, Sergey Lavrov, sublinhou que "a tarefa mais importante" é estabelecer "diálogo sustentável directo" entre o governo ucraniano e as regiões rebeldes. O presidente russo, Vladimir Putin, declarou em várias ocasiões que a Rússia apoia a integridade territorial da Ucrânia. Putin vem insistindo para que Kiev elimine qualquer possibilidade de um bloqueio das regiões orientais de Donetsk e Lugansk. "Caso contrário, é difícil imaginar a integridade territorial da Ucrânia. A Rússia, como você sabe, apoia a integridade territorial da Ucrânia ", salientou Putin.


Desde sexta-feira que Putin se reuniu com líderes alemães e franceses em Moscovo, em busca de uma saída para a crise no leste da Ucrânia e terminou com um acordo celebrado entre as partes. As novas sanções económicas da UE à Rússia foram frustradas devido a divergências internas, particularmente do novo governo grego.


As exportações alemãs para a Rússia caíram, em 2014, mais de 16 por cento, com um declínio a situar-se em cerca de 20 por cento, o que equivale a um deficit de 8 biliões de euros, em comparação com o ano anterior. "Estimamos que na Alemanha 300.000 trabalhadores trabalham para as exportações russas. Como as exportações caíram quase 20 por cento... a este respeito a Alemanha perdeu 60 000 postos de trabalho. Assim, espera-se uma redução ainda maior das exportações, com um impacto negativo sobre o emprego na Alemanha", avisou o Dr. Eckhard Cordes, presidente da Comissão das Relações Económicas Europeias de Leste.


Na sequência das sanções, foram vários os lideres das indústrias europeias que avisaram que as sanções não são o caminho para sair da crise. "O impacto das sanções é muito moderado. A crise económica da Rússia foi causada pelos preços do petróleo. As sanções funcionaram mais contra os países da Europa Ocidental por causa da balança comercial ", disse o Dr. Rainer Seele, presidente da maior empresa de petróleo e gás da Alemanha, a Wintershall.