Nos clássicos da geopolítica, a Eurásia é o prémio apetecível para qualquer grande actor. A supremacia global americana depende do tempo e da forma em que conseguirá manter o controlo sobre o continente basilar do planeta. A permanência americana na Eurásia tem uma importância capital para a sua segurança e para a estabilidade da paz internacional.

Contudo, se houvesse uma eventual desmobilização de tropas estacionadas na Europa, Ásia e Médio Oriente, poderia haver um vácuo de poder que poderia ser ocupado por uma outra potência rival americana, mas também uma disputa por esse "espaço/território" entre outras potências concorrentes. Assim, o desafio à supremacia dos Estados Unidos significaria também uma grande instabilidade internacional. As decisões políticas sobre como deve ser administrada a presença americana na Eurásia são fulcrais para a manutenção da supremacia global dos Estados Unidos. Quem dominar o continente, que é representativo de 2/3 da superfície terrestre, controlará as regiões mais avançadas e produtivas do mundo.

De referir que na Eurásia encontram-se as seis maiores economias mundias e os seis maiores compradores de armamentos militares. Enquanto os dois mais populosos aspirantes à hegemonia regional e influência global são Estados eurasianos e quase todos os desafiantes à hegemonia dos Estados Unidos, tanto no aspecto político, como no económico, localizam-se nesta região do planeta.

O Professor Brzezinski - Conselheiro de Segurança Nacional de Jimmy Carter e actual Conselheiro de Barack Obama - diz no seu livro "The Grand Chessboard" que " (...) De modo crescente, o poder da Eurásia é imensamente superior ao poder americano. Felizmente para a América, a Eurásia é muito grande e politicamente fragmentada. A Eurásia é, deste modo, o tabuleiro de xadrez no qual a luta pela supremacia global continua a ser praticada. Embora geoestrategicamente - a estratégia direccionada pelos interesses geopolíticos - deve ser comparada a um xadrez (...) ".

Segundo o pensamento americano, este "jogo" de xadrez, pode ser jogado da seguinte forma: no tabuleiro temos dois pontos extremos, as cidades de Lisboa e de Vladivostok (maior cidade portuária da Rússia):

1º- Impedir a emergência de qualquer potência rival, principalmente oriunda do espaço mediterrâneo em direção às extremidades, sobretudo à extremidade ocidental, local em que a América possui uma preponderância incontestável.

2º- Procurar a unificação da região localizada ao Sul do continente, sob um único poder de uma potência aliada, para impedir a virtual expulsão dos americanos da borda da Eurásia.

Ao aplicarem estas regras, os Estados Unidos dominarão sobre os seus rivais mas, por outro lado, se uma potência do espaço mediterrâneo tiver condições de repelir contra os países ocidentais, e se esta potência ganhar o controlo sobre o sul ou formar alianças com os Estados que estiverem no oriente da Eurásia, a primazia americana na região estará seriamente comprometida.

Contudo, Brzezinski procede a uma última hipótese para decidir as regras do jogo do ponto de vista americano. Se parte dos parceiros ocidentais rejeitarem a presença americana, os Estados Unidos seriam colocados definitivamente fora do jogo e a sua participação no tabuleiro de xadrez eurasiano estaria encerrada. Nesta situação, o extremo ocidente da Eurásia seria subjugado pela nova potência rival dominante. #História