"Agressão flagrante" é como o governo sírio apelida a invasão turca no norte da Síria. Damasco está a responsabilizar Ancara por ter invadido solo estrangeiro em nome de alegada protecção de um túmulo religioso sagrado. A Turquia invadiu, sem a permissão de Damasco, solo sírio numa operação militar para resgatar relíquias do fundador do Império Otomano, Suleyman Shah, no Norte da Síria. A Turquia alegou que tinha informado diplomaticamente a Síria das suas intenções acerca do túmulo através do seu consulado em Istambul, mas o governo de Ancara decidiu unilateralmente que não tinha de esperar por autorização. O governo de Assad condenou a incursão e relembra que viola o tratado de 1921 - que fixa as fronteiras turcas no Cáucaso. Assad lembrou ainda que as consequências das acções turcas serão imputadas totalmente ao governo turco. Há 1 morto nas hostes turcas, um curdo.

Alex Jones, reputado comentador geo-político, é céptico quanto ao sucedido: "ninguém me faz acreditar que são necessários veículos militares, incluindo tanques e ainda aviões para resgatar apenas um túmulo que poderia ser reavido diplomaticamente", comentou o popular locutor na emissão de 22 de Fevereiro. De facto a operação empenhou profundos recursos militares turcos: foram 100 veículos militares, incluindo 39 tanques que violaram a fronteira da Síria. Esta operação contou ainda com o apoio da minoria curda residente perto da fronteira com a Síria e normalmente em resistência ao governo da Ancara. Na Turquia, o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu confirmou em conferência de imprensa que a operação tinha resgatado 38 soldados recuperados do santuário da Turquia.

O ISIS na Síria tem sido apontado como um grupo rebelde e oposto a Assad, mas está a ser visto como guerrilha apoiada pelo governo turco e dos EUA. A Síria tem incidido precisamente na acusação constante de que o governo de Ancara patrocina as actividades da guerrilha "rebelde" síria no norte da Síria, incluindo o grupo Estado islâmico. A Turquia tem ainda sido acusada pela Síria de servir de base aérea para Israel, quando este país se prestou a hostilizar Damasco.

Movimentos militares turcos e alianças da Turquia com os EUA, quando estes têm interesses económicos na Síria, fazem pensar que a Turquia se prepara para dominar o Médio Oriente assim que a resistência do Governo de Assad na Síria terminar. A invasão da Turquia à Síria pode não ser apenas um aviso à Síria, mas um forte teste militar.