Era o passo esperado pelas instituições da Troika e pelos restantes membros da zona euro. O governo da Grécia iria enviar ontem, para Bruxelas, a lista de reformas que pretende implementar em troca da extensão por mais quatro meses dos empréstimos internacionais. O envio foi confirmado à France Press por fonte europeia próxima das negociações, com uma porta-voz da Comissão afirmando que a carta era aguardada até ao final do dia. Contudo, ao que tudo indica, a mesma não chegou a ser enviada.

O conteúdo do documento ainda não foi revelado, mas o compromisso deixado na reunião do Eurogrupo estabelecia o combate à corrupção e à invasão fiscal e uma reforma da administração pública como as linhas essenciais.

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A imprensa fala ainda de medidas contra a economia paralela e um aumento de impostos para as grandes fortunas. Estas são as reformas estruturais das quais a Grécia não se deveria desviar, dado o caminho de consolidação definido no âmbito do atual programa da Troika.

Em Atenas, o que se ouve na rua é que nem a União Europeia nem o Governo Grego têm alternativa a um entendimento. Na opinião de alguns gregos, caso o seu governo não implemente as medidas que as instituições europeias preconizam, a Grécia tem sérias probabilidades de ser expulsa da União Europeia. Contudo, há cidadãos gregos que se mostram confiantes sobre a situação do seu país e dizem estar crentes que as instituições vão aceitar as propostas.

A possibilidade de um acordo animou hoje os mercados; os juros da dívida grega baixaram em todas as maturidades e as bolsas europeias reagiram de forma positiva, pelo menos por enquanto.

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De acordo com Robert Halver, analista de mercados, chegou-se a um compromisso frágil que poderá prejudicar os gregos, visto que daqui a quatro meses terão o mesmo problema. Robert Halver revela que, na zona euro, o melhor que há a fazer é ganhar tempo e aproveitá-lo para colocar os mercados de título em alta. Se tudo tivesse corrido como planeado, o documento deveria ser analisado ainda ontem pelas instituições, e hoje seria discutido por teleconferência pelos ministros das finanças dos países membros da zona euro.