Alexis Tsipras, o novo primeiro-ministro da Grécia, recebeu ontem, segunda-feira, um apoio inesperado. Werner Faymann, chanceler da Áustria, recebeu o seu homólogo grego em Viena. O governo austríaco declarou o seu apoio às medidas sugeridas pelo Syriza, que classifica como razoáveis. "Combater a evasão fiscal e a corrupção é mais lógico que cortar despesa", afirmou. Note-se, contudo, que o Faymann governa pelo Partido Social-Democrata da Áustria, partido filiado na Internacional Socialista, e portanto de centro-esquerda.


De forma mais contundente, Faymann criticou Angela Merkel, sua homóloga alemã, pela sua atitude "passiva" no combate ao desemprego, que assola toda a Europa. "É tudo feito muito tarde", "não fazendo sentido que a perda de poder de compra da classe média e o desemprego permitam à Grécia sair da crise." Viena sublinha que não pretende abdicar da sua parte naquilo que a Grécia deve aos parceiros europeus - Atenas deve cerca de 9000 milhões à Áustria. Mas aponta que a Grécia precisa de "voltar ao crescimento."


O apoio austríaco é, de certa forma, parcialmente inesperado, ainda que o quadrante político de Faymann favoreça esta posição. A Áustria é tradicionalmente um país alinhado com "o norte da Europa", criticando as opções políticas  dos países da Europa do sul, a par não só da Alemanha mas também da Holanda ou da Finlândia. Não é líquido que os apoios políticos venham a influenciar a posição de Wolfgang Schäuble e Angela Merkel, que respondem em primeiro lugar aos seus eleitores. Mas são sem dúvidas passos no sentido de a Europa reconhecer o Syriza como um interlocutor real, e não apenas como um acidente de percurso fora do contexto. 


Neste mesmo sentido, Tsipras e Varoufakis mantêm o discurso conciliador e razoável que adoptaram quase desde o primeiro dia, apesar das bravatas iniciais sobre a recusa de pagar a dívida (que rapidamente desapareceram.) Num dos últimos comentários, Varoufakis apontou que "70% do memorando da Troika para a Grécia faz sentido." Amanhã, quarta-feira 11, a Grécia vai apresentar uma proposta concreta ao Eurogrupo para rever as medidas a implementar no âmbito do programa de resgate, que ainda se mantém. Angela Merkel, a este propósito, indicou que vai aguardar por essa reunião para fazer novos comentários.