O governo do Syriza pediu uma extensão, por 6 meses, do seu programa de resgate. O pedido significa um volte-face na posição de Atenas, que pretendia o cancelamento imediato do programa e das respectivas obrigações perante a Troika. O termo "extensão" havia sido um dos principais pontos de discórdia entre Varoufakis e Schäuble (o ministro das Finanças alemão), uma vez que a Grécia pretendia, numa lógica de flexibilização das condições, negociar um novo empréstimo por 6 meses. Ao invés, a Alemanha foi sempre muito firme e clara na resolução de prosseguir com o programa actual, nas condições negociadas e em vigor.


As medidas propostas por Atenas, e segundo o britânico Guardian, são um programa de crescimento a 4 anos, medidas para responder à "crise humanitária" causada pela brutal redução de 25% do PIB nos últimos 6 anos, e flexibilidade no pagamento da dívida. De acordo com os últimos desenvolvimentos, nenhum destes cenários será colocado.


De acordo com o jornal britânico Telegraph, o Secretário do Tesouro dos Estados Unidos Jack Lew (cargo equivalente ao de ministro das Finanças) telefonou pessoalmente a Yanis Varoufakis recomendando um "caminho construtivo, em parceria com o FMI e os ministros das Finanças europeus", e que o falhanço em chegar a um acordo provocaria "dificuldades imediatas na Grécia". Este mesmo contacto foi confirmado pelo próprio Varoufakis através da sua conta no Twitter, onde contou: "o Sec Tesouro EUA disse-me realmente que um não-acordo causará danos à Grécia. Acrescentou que também causaria danos à Europa. Conselho para os dois lados!"


Como a Blasting News tinha referido antes, todos os pressupostos anteriores à eleições de Tsipras se mantinham válidos. Correr o risco de chegar o fim do mês e ficar sem dinheiro era uma opção que nunca foi colocada de uma forma realmente consistente por parte do Syriza. A opção de forçar uma saída descontrolada do Euro, e os riscos que tal pudesse trazer para a zona Euro no seu todo, era o essencial da força negocial de Tsipras neste braço-de-ferro. Contudo, a Europa mostrou desde o primeiro momento que estava preparada para deixar a Grécia sair - mais do que a própria Grécia para tomar esse passo. 


Está agendada para hoje nova reunião do Eurogrupo, onde se aguarda para ver a concretização dos últimos desenvolvimentos. Para o governo do Syriza, o próximo desafio será, a nível interno, explicar que a Troika continuará "a exercer soberania" e que as medidas de austeridade do programa de resgate se vão manter, tal como negociadas, mais 6 meses.