O Brasil de Getúlio Vargas, ostensivamente fascista, viu o início da Segunda Guerra Mundial com algum distanciamento. Apesar de na guerra anterior o Brasil ter estado do lado da Entente, o facto era que tal também havia sucedido com a Itália e o Japão, agora parte do Eixo, juntamente com a Alemanha Nazi. Sabendo que a entrada numa guerra traria resultados imprevisíveis, sobretudo num país ainda dividido e em desenvolvimento, Vargas e seus apoiantes decidiram pela neutralidade, pelo menos numa fase inicial, estabelecendo acordos comerciais com ambos os lados do conflito mundial. No entanto, com o desenvolver da guerra tornou-se cada vez mais complicado negociar com o Eixo e tornou-se evidente quem iria vencer no final.

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Em 1942 o Brasil decidiu finalmente cortar relações com o Eixo, o que levou ao afundamento de uma série de navios brasileiros em agosto de 1942, forçando o governo a declarar guerra.

As forças armadas brasileiras demoraram dois anos a criar a Força Expedicionária Brasileira (FEB) para participar no esforço de guerra, e a demora no envio e na preparação levaram a uma sensação de inaptidão, e à expressão "só quando a cobra fumar", em relação ao envio destas tropas. No entanto, a 2 de Julho de 1944, os 25.000 homens do FEB (apenas um quarto do que fora prometido aos Aliados) partiram para a guerra, sob o comando do General João Baptista Mascarenhas de Morais e sob o mote "a cobra vai fumar", que se tornou desde então em sinónimo de que algo iria certamente suceder.

O comando aliado decidiu que a FEB seria enviada para Itália, onde tropas se começaram a tornar desesperantemente necessárias após o desvio de diversas divisões para a Invasão da Normandia.

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Trabalhando a par com os americanos da 92ª Divisão de Infantaria, os brasileiros avançaram sobre o Norte de Itália a partir de meados de setembro. Então veio o primeiro verdadeiro teste de combate, o assalto aliado a Monte Castello.

Os combates iniciaram-se a 25 de Novembro de 1944, e desde logo se fizeram marcar pelo terrível frio que se fazia sentir nesta zona montanhosa, um choque para os soldados vindos do tropical Brasil. A opor-se aos americanos e aos brasileiros estava a 232ª Divisão de Granadeiros da Wehrmacht, composta sobretudo por veteranos que haviam ficado incapacitados na Frente Leste. Os combates revelaram-se especialmente duros, com avanços e recuos de ambos os lados. A 12 de Dezembro as tropas brasileiras, na altura apenas alguns batalhões, foram movidas para tomar o Monte Belvedere, no flanco americano, para depois rodarem e daí ocuparem Monte Castello. Sofrendo muitas baixas, o General de Morais concluiu que teria de usar tudo o que tinha ao seu dispor para fazer cumprir a missão.

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Em finais de fevereiro, e apoiado pela 10ª Divisão de Montanha dos EUA, o FEB levaria a cabo a Operação Encore, que finalmente expulsou os alemães do sector a 22 de fevereiro. Os "pracinhas", como eram conhecidos os militares brasileiros, provaram grande coragem e determinação na batalha, tendo sofrido 417 baixas no total. De notar as ações exemplares que a artilharia e as aeronaves da FEB tiveram ao longo do confronto.

A batalha é ainda hoje recordada como um momento de orgulho nacional no Brasil, provando ao mundo que os cidadãos daquela nação sul-americana conseguiam lutar tão bem como os do resto do mundo. Ao todo, morreriam 471 militares do FEB até ao fim da campanha italiana, em 2 maio de 1945. #História