Desde a reviravolta de há duas semanas em Donetsk que as forças governamentais ucranianas têm vindo a perder terreno para os rebeldes pro-russos que lutam pela independência do leste do país. A gravidade da situação já levou o governo dos Estados Unidos da América a falar abertamente de vender armas a Kiev, numa tentativa de que o governo do Presidente Petro Poroshenko possa obter superioridade material no terreno. Entretanto a Chanceler Angela Merkel e o Presidente François Hollande dirigem-se esta quinta-feira a Kiev para iniciarem uma nova ronda de conversações de paz que também os levará a Moscovo na sexta-feira, para se encontrarem com Vladimir Putin. Os líderes da Alemanha e da França acreditam ter desenvolvido um texto que será aceitável para ambos os lados do conflito de Donbass, que já se arrasta desde Abril do ano passado, e que poderá pôr termo ao mesmo.

Publicidade
Publicidade

A questão ucraniana tem sido alvo de grande escrutínio desde o seu início, devido à natureza geográfica da mesma e aos atores envolvidos. Apesar de negar o seu envolvimento e de declarar oferecer apenas "apoio humanitário", Moscovo é acusada de fornecer armas aos rebeldes, incluindo armamento sofisticado que essas forças teriam dificuldades em obter dentro da própria Ucrânia, mesmo se capturado às forças governamentais. Exemplo são os mísseis Buk que teriam abatido o Voo 17 da Malaysia Airlines, e cujo lançador teria sido enviado de volta para a Rússia pouco depois do incidente. Pior ainda é a acusação de que muitas das forças que operam sob a bandeira rebelde seriam, de facto, tropas russas, agindo de forma dissimulada, como sucedeu na Crimeia, de modo a anexar novas partes do país.

Publicidade

O confronto marcou-se por um jogo de puxa-empurra entre o Exército Ucraniano e os rebeldes, mas a constante pressão rebelde tem deixado a sua marca nas forças de Kiev. O equipamento ucraniano já estava em péssimo estado de conservação antes do inicio do conflito, e essa situação apenas piorou desde o início do mesmo. A frota de caças de fabrico russo MiG-29, a espinha dorsal da força de caças ucraniana, é um exemplo disto, com dezenas de aeronaves perdidas de diversos modos, capturadas pelos russos na Crimeia, abatidas, ou, sobretudo, acabando simplesmente desgastadas pelo uso. Das 80 em serviço em 2013, apenas cerca de 30 ainda estão em condições operacionais, se tanto.

Por estes motivos, Poroshenko tem sido insistente nos seus pedidos para que os países da NATO, sobretudo os Estados Unidos, equipem as suas forças, de modo a conseguir superar a atual fraqueza e recuperar superioridade material. Para esse fim, o Secretário de Estado John Kerry também se dirigiu hoje a Kiev para oferecer um pacote de armamento e outras ajudas, invertendo assim a insistência prévia de Washington em fornecer apenas apoio não-letal por receio de inflamar mais a região.

Publicidade

Entretanto a própria NATO começa a redistribuir as suas forças na região, com uma força de ação rápida de 5000 homens a ser colocada na Polónia, e suportada por centros de comando em diversos países de Europa de Leste, de modo a contrariar o que se vê como sendo uma postura agressiva de Moscovo. Por seu lado, o governo de Putin repudia as justificações defensivas do Bloco Ocidental, vendo estas medidas como parte do que já classificaram como "agressão ocidental."