Foi o Presidente François Hollande quem mais duramente colocou as conclusões retiradas das conversações encetadas juntamente com Angela Merkel e Vladimir Putin esta Sexta-feira em Moscovo. "Nós sabemos qual é o cenário... chama-se guerra", disse o líder francês, referindo-se à possibilidade de as conversações de um cessar-fogo para a Ucrânia falharem novamente, tendo em conta os parcos resultados da reunião efetuada na Rússia, que ainda assim deu azo a um compromisso entre os três líderes para que se traçasse uma nova proposta para apresentar no Domingo ao Presidente ucraniano, Petro Poroshenko.

Apesar de Putin ter afirmado que estaria disposto a prosseguir as conversações caso Kiev e os rebeldes pró-russos chegassem a um acordo, a verdade é que a possibilidade de se retomarem as condições do Acordo de Minsk, que havia sido assinado em Setembro, parecem pequenas, sobretudo com os rebeldes a obterem ganhos no terreno.

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O Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, que também havia viajado para Kiev na Quinta-feira para debater novos pacotes de ajuda, irá ainda hoje encontrar-se em Munique com o Ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, e com Angela Merkel para oferecer a posição de Washington em relação ao assunto.

Tendo, provavelmente, previsto a posição russa de antemão, o Primeiro-ministro ucraniano Arseny Yatseniuk havia, na reunião de Quinta-feira em Kiev, feito novos pedidos para que os países da NATO enviassem armas para o seu governo se defender dos rebeldes, uma medida que causa receio na aliança atlântica por poder ser entendida como uma provocação contra Moscovo. No entanto, o Presidente Barack Obama já haviam afirmado que a entrega de armas a Kiev pelos países do Bloco Ocidental se faria em breve.

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Aliás, fontes da NATO referem sem hesitações que há tropas russas na Ucrânia, não obstante as negações de Moscovo, e que certamente abririam a possibilidade de armar o Exército Ucraniano, que trabalha sobretudo com armas da antiga União Soviética.

No terreno, e como referido, os rebeldes recuperaram a iniciativa, apesar da curta trégua desta Sexta-feira, feita para evacuar feridos e civis. O seu armamento, considerado sofisticado para organizações da sua índole, foi recentemente ampliado com a adição de um jato de ataque ao solo Su-25, aparentemente capturado à Força Aérea Ucraniana. No entanto, a sua origem já deu azo a especulações, uma vez que há quem pense que a história poderia ser apenas um pretexto para que aeronaves similares da Força Aérea Russa possam operar no espaço aéreo ucraniano. Relembremos que no ano passado houve incidentes em que caças russos abateram Su-25s ucranianos, embora nessas instâncias tenham disparado do lado russo da fronteira.

Entretanto, mais de 5000 pessoas morreram no conflito de Donbass, que também originou mais de um milhão de refugiados. O apoio russo aos rebeldes também levou os países da NATO a colocarem sanções económicas sobre Moscovo que prejudicaram a economia de todos os envolvidos.

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Novamente, as palavras de Hollande ressoam algo sinistramente. Não obstante, a aparente falta de retórica política dos líderes poderá ser um sinal positivo para toda esta história. Parece haver uma verdadeira seriedade na abordagem à situação, dando a esperança de uma verdadeira resolução diplomática no futuro próximo.