A Islândia tem uma taxa de desemprego de 3 a 4%. O crescimento do PIB, em 2015, é estimado na casa dos 3,3% e o turismo cresceu entre 15 a 20% nos últimos 3 anos. Mas afinal, como é que a Islândia saiu da crise? Em 2008, este país com 320 mil habitantes foi o primeiro país a pedir ajuda ao FMI, quando os seus 3 principais bancos faliram (juntos valiam 10 vezes mais que o Produto Interno Bruto nacional). O sistema bancário entrou em colapso, a Bolsa perdeu 95% do seu valor e a 'coroa', moeda do país, perdeu 80% do seu valor face ao euro.

O colapso fez com que o povo islandês se reunisse em frente ao Parlamento para manifestar a sua vontade de ter um novo governante. Já em 2009, durante 6 dias e 6 noites, os protestantes criaram aquela que ficou conhecida como "a revolução das panelas e das caçarolas", fazendo um barulho constante com estes instrumentos, como forma de protesto. A insistência do povo islandês levou à demissão do governo e do primeiro-ministro, Geir Haarde, que acabou por ser julgado juntamente com os banqueiros dos principais bancos que faliram.

A questão da falência bancária fez com que a crise fosse até ao seu limite no momento em que o governo quis que os habitantes pagassem a dívida existente para com os clientes ingleses e holandeses. Estes tinham contas com juros muito baixos nos bancos que faliram, os quais foram nacionalizados. Com a nacionalização, foi assumido um compromisso de assegurar os depósitos dos nacionais mas a situação dos clientes ingleses e holandeses ficaria então a encargo dos cidadãos (medida chamada de Icesave). Para conseguir pagar o valor em dívida, que rondava os 3.5 milhões, cada islandês seria obrigado a pagar 100 euros por mês, durante 15 anos. O povo manifestou-se e, em referendo, 93% votou contra esta decisão.

Os governos do Reino Unido e da Holanda pagaram a dívida aos seus cidadãos mas exigiram o reembolso. O mesmo ainda não foi pago e ambos os países afirmam não aceitar a entrada da Islândia na União Europeia enquanto esta situação não estiver regularizada. Com a falta do pagamento da dívida, este país chegou mesmo a estar numa 'lista de terroristas'. Durante 2 semanas, os islandeses, que saíram de território nacional, não conseguiram usar os seus cartões de crédito.

O que pareciam ser indicadores negativos passaram a ser oportunidades: a desvalorização da coroa fez crescer as exportações do alumínio e da pesca. Deixaram-se de ver tantos produtos importados nos supermercados, o que levou ao aumento da produção nacional (aumento da mão-de-obra leva a decréscimo do desemprego de 12 para 5%). O turismo, por sua vez, também disparou neste contexto em que os preços eram mais baixos. Hoje em dia, o país cresce com o investimento e consumo privados.

O Presidente, Olafur Grimsson, afirma que o sucesso da recuperação económica se deve ao facto do país não ter seguido os conselhos dos organismos internacionais, que aconselhavam as medidas de austeridade como caminho a seguir para sair da crise.