Nos últimos anos tem existido um certo padrão para o comportamento de Pyonyang, que se associou a uma tendência para ameaçar inimigos, vizinhos ou não, de modo a manter uma certa postura no palco internacional, e para com a população na frente doméstica. Estas declarações tendem a tornar-se mais notórias no encalço dos exercícios Foal Eagle, uma série de amplos treinos militares conjuntos entre os Estados Unidos e Seul que usualmente ocorrem todos os anos entre finais de fevereiro e inícios de março. Este ano, contudo, a grande diferença prende-se com o contexto e a escala daquilo que Kim Jong-Un tem vindo a apresentar, incluindo uma reestruturação dos mecanismos do Exército Popular da Coreia do Norte, o que certamente será o motivo principal das suas atuais movimentações.

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Como vem sendo habitual, o líder norte-coreano declara que os inimigos da sua nação se preparam para a atacar e que, portanto, as suas tropas terão de estar prontas para o combate a qualquer momento. Convém ter em conta que apesar das ambições de reunificação das Coreias, Seul terá opiniões divididas em relação ao assunto. Independentemente dos ganhos em território e recursos, os custos de reconstrução do Norte seriam proibitivos, uma vez que toda a zona é sub-desenvolvida. Mais ainda, assim a Coreia democrática passava a ter uma fronteira direta com a República Popular da China, um adversário muito mais portentoso.

Numa segunda nota, convém verificar que, não obstante o que foi dito, Pyonyang está, de facto, a conduzir exercícios militares junto da fronteira com o Sul, após ter testado novos mísseis há poucos dias. Utilizando sobretudo artilharia, estes treinos relembram que o estado totalitário tem Seul dentro do alcance da sua artilharia (afinal, a capital do Sul está a meros 50 quilómetros da fronteira), e que dispõe de um vasto arsenal de armas químicas, para além das convencionais, que causariam imensos estragos, independentemente do resultado final de qualquer conflito (que a Coreia do Norte não teria nenhuma hipótese de vencer, mas esse é um tema para outra oportunidade).

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Mas talvez mais preocupante é o facto de a Rússia de Vladimir Putin ter feito esforços para organizar exercícios militares conjuntos com a Coreia do Norte, e também com Cuba, o Vietname e o Brasil. Apesar de algumas destas adições soarem estranhas, pela sua aproximação clássica ou recente ao Ocidente, a iniciativa em si causa receio, e sabe-se que Kim Jong-Un irá a Moscovo a 8 de maio. Por isso mesmo, Seul tem mantido o Norte sob vigilância.

Por fim, convém recordar que as negociações relativamente ao programa nuclear norte-coreano (que já terá utilizado todo a matéria-prima capaz de equipar bombas atómicas disponível no Norte, o que levou Pyonyang a procurar novas fontes) estão suspensas. Washington havia pedido à Coreia do Norte para desmantelar o programa, mas com o arrefecer das relações entre os dois países é pouco provável que negociações diretas sujam no futuro próximo.