A Áustria aprovou uma lei no Parlamento que procurará controlar as actividades islâmicas no país. A lei garantirá que as organizações muçulmanas austríacas sejam proibidas de obter qualquer financiamento estrangeiro. A legislação vai mais longe, porque vai exigir aos muçulmanos austríacos que usem apenas versões dos textos do Corão em "linguagem alemã padronizada". A lei foi aprovada com relativa facilidade no parlamento austríaco de Viena, já que a sociedade austríaca é predominantemente católico-romana. Mas foi, como é de supor, contestada pela vontade de muçulmanos.

O Ministro das Relações Exteriores austríaco comentou: "Aceitamos um Islão do tipo austríaco, e não aquele que é financiado e dominado por países terceiros" disse Sebastian Kurz, ministro austríaco, conservador, de 28 anos. Mehmet Görmez, representante da Diyanet - uma organização muçulmana de origem turca que financia o Islão na Áustria - referiu que esta lei é uma regressão de "100 anos" na narrativa internacional dos direitos religiosos. Os muçulmanos austríacos compõem 6 % da população austríaca e são, ao todo, um milhão de habitantes - na sua maioria, trabalhadores imigrantes turcos. Muitos dos líderes espirituais/religiosos muçulmanos na Áustria (os Imãs) são propostos pela Turquia através do "Estado para os Assuntos Religiosos", a Dyianet. Por isso, o governo austríaco não quer ver manipulação social estrangeira no seu território em nome do apoio religioso e garantirá que seja a sociedade austríaca a controlar os residentes em solo austríaco.

A lei que controlará os islâmicos não teve a oposição da maioria muçulmana austríaca, que se faz representar pela Iggio, mas apenas de grupos juvenis desta organização e da União Turca (financiada na Áustria), que representa bastantes muçulmanos e prometeu debater a lei no Tribunal Constitucional.

A Áustria tem sido confrontada com acontecimentos recentes que a implicam directamente o Islão: entre eles estão quase duas centenas de pessoas que deixaram a Áustria para se juntarem aos combates no Médio Oriente. Mas o país não tem conhecido, dentro das suas fronteiras, qualquer tipo de confronto ou ameaça, nem tem havido problemas nas relações entre residentes austríacos e islâmicos, refere o governo.

No entanto, o facto de haver um clima social/religioso pacificado na sociedade austríaca não impede que 25 % da população austríaca considere a lei demasiado branda; este segmento social, maioritariamente representado pelo Partido Liberdade (acusado de ser de "extrema-direita") tem uma posição anti-imigração sustentada na consideração de que os muçulmanos são apenas eleitores turcos importados para os Socialistas (no poder). A lei não será aplicada a outras religiões ou minorias. #Religião